The Fundamentals of Caring

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Nota: 7.5

Ao término das seis semanas de seu curso de cuidador, Ben (Paul Rudd) é enviado para a casa de seu primeiro cliente, sobre o qual nada sabe. Ao ser entrevistado pela mãe, que desejava alguém com mais experiência, Ben é recebido com zombaria por Trevor (Craig Roberts), portador de Distrofia Muscular de Duchenne. O que, nos primeiros momentos, parecia ser uma relação complicada, logo transforma-se em amizade e cumplicidade, que mudará a vida de ambos para sempre. 

Mesmo com uma doença que diminuirá consideravelmente seu tempo de vida, Trevor segue uma vida extremamente regrada e metódica. Tem horários marcados para tudo, come somente waffles e salsicha, não sai de casa – exceto às quintas-feiras, quando vai ao parque das 14h às 15h – e não tem contato com pessoas além de sua mãe e seu cuidador. Sustenta sonhos que não tenta realizar, como ver o maior bovino do mundo e o poço mais profundo que existe, que estão a quilômetros de sua casa. A entrada de Ben na vida de Trevor não serve somente para “limpar sua bunda”, como o garoto insistentemente diz, mas para fazer com que ele não sucumbisse à doença e aproveitasse o tempo de vida que lhe restava. Então, os dois partem em uma viagem onde ambos encontram as descobertas e a liberdade de que tanto precisavam para viver melhor. 

O roteiro de The Fundamentals of Caring (2016), escrito pelo estreante Rob Burnett, é bem simples, e sustenta-se no clássico road movie que já conhecemos. A relação do cuidador com o garoto é explorada de maneira muito íntima, e rapidamente nos vemos envolvidos e nos importamos com o que está acontecendo na tela. Quando Dot (Selena Gomez) entra na viagem, apesar de haver uma quebra no paradigma do enredo – Trevor continua debochando de Ben a cada cena, mas vemos seu lado puxa-saco ser aflorado com a presença da jovem -, a narrativa não é quebrada, não há incômodo, uma vez que a personagem de Selena Gomez tem tanto carisma quanto os outros dois. A direção, também de Burnett, é eficaz, e colabora com o roteiro para a criação de uma história cativante. Os planos abertos, que mostram as paisagens pelas quais a van dirigida por Ben passa, são belíssimos, e dão um ótimo tom visual ao filme. 

Apesar de as atuações não serem o ponto alto do filme, o trio protagonista funciona bastante bem. Mesmo um tanto caricatos, os atores passam sensibilidade e aspereza na medida certa, e tornam aqueles personagens críveis. 

The Fundamentals of Caring é um filme que diverte bastante, tem piadas inteligentes, mas também faz pensar e emociona. Entrar na complicada realidade de Trevor pode ser incômodo, mas deixar-se viajar com seu grupo é uma experiência recompensadora, que resulta em uma ótima sensação que mostra o poder libertador que sair da mesmice e da rotina pode trazer.

Por Danilo Martins 

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A Volta do Todo Poderoso

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Nota: 3.5

A nova moda em Holywood é investir milhões em péssimos filmes de comédia. Se já fiquei estarrecido com os US$35 milhões gastos com “Super-Herói: O Filme”, imaginem como eu fiquei ao saber que este terrível “A Volta do Todo Poderoso” (Evan Almighty, 2007) foi orçado em astronômicos US$175 milhões, sendo o filme de comédia mais caro da história? O péssimo resultado pode ser confirmado com a indicação ao nada honroso prêmio Framboesa de Ouro de Pior Prelúdio ou Continuação. E este longa é extremamente inferior ao aceitável primeiro filme, sendo muito pior em absolutamente tudo.

A história é tão simples que pode chegar a ser banal. Evan Baxter (Steve Carrel), após ter sido eleito para o congresso, muda-se para Washington. Preocupado em cumprir suas promessas de campanha, Baxter reza para que Deus o ajude a corresponder com a maior delas: mudar o mundo. Passado isso, ele começa a receber encomendas estrahas, como ferramentas obsoletas e grandes quantidades de madeira. Simultaneamente, ele passa a perceber que um número começa a persegui-lo, o 614, e recebe indicações de que ele pode representar uma passagem da Bíblia, o Gênesis 6:14. Então, ele recebe uma visita do próprio Deus (Morgan Freeman), que confirma suas suspeitas e lhe dá a missão de fazer exatamente o que está contido na passagem referida: construir uma arca. E a história se resume a apenas isso, na construção da tal arca.

O filme conta com alguns elementos cômicos, mas nada que possa justificar o investimento que foi feito. Tanto que a melhor personagem em termos cômicos, Rita (Wanda Sykes) é completamente desperdiçada, aparecendo apenas esporadicamente. As outras boas cenas ficam por conta da utilização dos animais. As perseguições ao deputado, apesar de serem maçantes depois de algum tempo, são até legais no começo. Algumas cenas da construção da arca também são engraçadas, mas nada que possa divertir muito. Se o longa consegue arrancar alguns risos de nós, ele tem uma capacidade muito maior de irritar. As constantes assemelhações a Noé sofridas por Evan são completamente desnecessárias. Nós todos sabemos que quem construiu a arca foi Noé, o roteiro não precisava tentar fazer o personagem sem graça interpretado por Steve Carrel ser um pouco engraçado, pois isso apenas faz com que ele beire o ridículo. As visões que Baxter tem de Deus também são completamente chatas, já que elas ocorrem a todo o tempo, e o imbecil do personagem se assusta em praticamente todas elas. E a presença do número 614, então… Ele aparece umas 10 vezes, sendo que poderia ter sido visualizado umas 5 (no máximo) e ser explicado. Mas o desespero dos produtores de alongar ao máximo o filme é tão grande que eles acabam explorando demasiadamente algo quase inexplorável.

O elenco de “A Volta do Todo Poderoso” é bom, mas muito mal utilizado. Morgan Freeman e Steve Carrel mostraram não serem bons no quesito escolher roteiro. Seus personagens carregam muito pouca comicidade e carisma. Sendo os dois principais personagens da “trama”, deveriam ter sido pelo menos um pouco melhor construídos. Em contrapartida, Wanda Sykes dá um show. Com sua irreverência e jeito desleixado, ela tem grande facilidade em provocar no espectador verdadeiros “ataques de riso”, apesar de suas falas, assim como a maioria dos diálogos do roteiro, não serem bem feitas. Os garotos que interpretam os filhos de Evan (Johnny Simons, Jimmy Bennet e Graham Phillips) são bastante seguros, apesar de também não terem o destaque merecido na história. O restante do elenco tem atuação simplesmente burocrática, sem nenhum destaque. O filme ainda conta com uma trilha sonora aceitável e os efeitos especiais, apesar de extremamente caros, não se mostram tão bons assim.

“A Volta do Todo Poderoso” ingressa no grupo das continuações que não fariam falta nenhuma se não tivessem sido feitas. Eu não vou falar para você não assistir, pois nunca vou lhe negar o direito de ter suas próprias conclusões sobre um filme. Mas, por favor, se não gostar, não diga que foi por falta de aviso!


Por Danilo Henrique

Lições de Vida

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Nota: 10

Quando comédias dramáticas são lançadas, sempre as vejo com desconfiança, pois, em 90% dos casos, os gêneros “brigam” entre si, deixando ou a comédia ou o drama em maior evidência. É o que acontece nos bons “A Banda” e “Estômago”, onde prevalece a abordagem mais dramática do enredo. Um dos grandes trunfos deste “Lições de Vida” (Driving Lessons, 2006) é a homogeneidade de seu roteiro, conseguindo colocar drama e comédia num mesmo plano. Os gêneros andam de mãos dadas, sem entrar em conflito, o que dá origem a um dos filmes mais notórios e perfeitos que já vi.

Ben Marshall (Rupert Grint) é um garoto londrino que, bastante tímido, tem uma família bastante religiosa e ultraconservadora. Apesar de seu pai ser padre, é a mãe, Laura Marshall (Laura Linney), quem o domina completamente, escondendo-lhe praticamente tudo da vida que considera “errada”. Nesse contexto, Laura cede abrigo a um homem, o Sr. Fincham (Jim Norton), segundo ela própria pela vontade de Deus, fazendo com que Ben seja obrigado a trabalhar, para ajudar a sustentar mais uma pessoa na casa. E esta é a chance de Ben conhecer o mundo que lhe foi ocultado durante tantos anos, pois ele vai trabalhar cuidando de Evie Walton (Julie Walters), uma excêntrica e veterana atriz de teatro e cinema.

Junto com a senhora, Ben passa a conhecer uma nova vida, aprendendo diariamente inúmeras lições com a “dama do teatro”. Aprende a desenvolver seu talento para a poesia, a dirigir (coisa que a mãe manipuladora insistia em ensinar, mas o resultado pode ser visto logo na engraçadíssima primeira cena do filme), a aproveitar os momentos bons da vida, sem medo do que posso acarretar. Mas Ben aprende, sobretudo, o valor da verdadeira amizade. Mesmo proibido, Ben acampa (com uma “forcinha” hilária da veterana atriz) e viaja com Evie para Edimburgo, onde acontecerá um recital do qual Evie participará. A presença de Ben faz-se tão necessária na vida da atriz que ela afirma que só conseguirá lembrar os poemas de Shakespeare que ele tanto ensaiaram com a presença dele. E esta é uma das cenas mais tristes do filme, que mostra o quão importante pode ser uma pessoa na vida de outra.

O filme, como já foi falado, conta com uma presença homogênea de dramaticidade e comicidade. O diretor e roteirista Jeremy Brock consegue levar-nos a boas gargalhadas, como na cena da “simulação de acampamento” de Ben e Evie, e a profundas lágrimas, como quando Evie “invade” a peça dirigida pela mãe de Ben, para salvar o garoto das garras da opressora. E tudo é feito com enorme simplicidade, sem a menor pretensão, o que torna a história bastante verossímil e leve. O filme em momento algum acha que é mais do que realmente é, o que lhe dá a cara de verdade. Jeremy tem total controle sobre seus atores, o que lhe dá, também, controle total sobre a trama. O drama é totalmente sem sentimentalismos extremos e melosos, completamente na medida certa; a comédia é leve e agradável, sem apelar pra qualquer tipo de conteúdo pesado. A trama ainda é imensamente ajudada pela sempre efetiva e correta trilha sonora, embalando sem qualquer exagero todos os momentos que se passam na tela.

O elenco é, sem dúvida, um ponto fortíssimo de “Lições de Vida”. O entrosamento entre Rupert Grint e Julie Walters é sensacional, ajudado pelo fato de este ser o quarto filme que fazem juntos (os outros foram “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, “Harry Potter e a Câmara Secreta” e “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”). Este entrosamento, aliado ao imenso carisma, faz o espectador ficar facilmente apaixonado pela dupla, torcendo para que a amizade deles sobreviva mesmo com a resistência da mãe. Individualmente, os dois também têm grande destaque. Rupert Grint dá um verdadeiro show de atuação como Ben, um dos personagens mais bem construídos que já vi em uma comédia dramática. Rupert prova que o diretor Jeremy Brock estava certo ao afirmar que sua escolha para protagonista deveu-se ao fato de o jovem ruivo ser muito pouco aproveitado na série Harry Potter (convenhamos, Rupert é muito melhor ator que seu companheiro Daniel Radcliffe, que protagoniza a série). As mudanças constantes de Ben em virtude do conhecimento da nova vida só são tão notáveis porque Rupert é o responsável por esta tarefa, muito complicada, por sinal. Julie Walters dá a sua Evie o tom certo de excentricidade, que passa por crises existenciais, atitides loucas (e engraçadíssimas) e amor ao seu verdadeiro amigo, Ben.

“Lições de Vida”, como já falei, é o melhor filme de comédia dramática que já vi. Ao longo de seus 95 minutos, somos conduzidos a inúmeros sentimentos, indo da pena de Ben à raiva de sua mãe conservadora. Mas isso tudo é feito de forma homogênea, sem a mínima oscilação negativa, dando ao filme um caráter linear positivo (melhora um pouco a cada minuto). O ritmo não cai em momento algum, e conduz a trama para um terceiro ato surpreendente e emocionante, capaz de arrancar ao mesmo tempo risos e lágrimas. “Lições de Vida”, com sua simplicidade, é uma verdadeira aula de cinema, uma aula de como se deve misturar corretamente dois estilos tão diferentes. Simplesmente perfeito!


Por Danilo Henrique

Saneamento Básico, O Filme

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Nota: 1.5

Alguns filmes brasileiros são verdadeiros orgulhos para nosso país. Eu poderia ficar, com o maior prazer, horas falando de “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “Casa de Areia” e “Os Normais, O Filme”. Mas, infelizmente, vou precisar ocupar meu tempo relembrando este ridículo “Saneamento Básico, O Filme” (idem, 2007), sem dúvida um dos piores filmes brasileiros dos últimos anos. E é também o maior desperdício de elenco que eu já vi, pois Fernanda Torres, Wagner Moura e Tonico Pereira não precisavam passar por esse tipo de humilhação.

A história é simples e banal. Os moradores de Linha Cristal, uma pequena vila gaúcha, reúnem-se para discutir a respeito da construção de uma fossa para o tratamento do esgoto do local, que incomoda muito com cheiro ruim e transmissão de doenças. Eles elegem uma comissão representativa para requerer à subprefeitura a verba necessária para tal obra. Apesar de a secretária considerar a obra necessária, ela alega que não possui verba suficiente, e aconselha os moradores a entrarem em um concurso da prefeitura, que premiará com R$10 mil o melhor vídeo enviado. O concurso exige que seja apresentado um roteiro, que o filme seja de ficção e tenha, no mínimo 10 minutos. Com isso, os moradores resolvem fazer um filme sobre um monstro que mora nas obras de construção de uma fossa.

Apesar de “Saneamento Básico, O Filme” ser um filme de comédia, são muito poucas as cenas realmente engraçadas. O roteiro apresenta inúmeras tentativas frustradas de fazer o espectador rir, mas o máximo que consegue é irritar o coitado que tenta encontrar alguma diversão. O primeiro exemplo que me vem à cabeça é a patética e pouco inteligente discussão acerca do significado da palavra “ficção”. São perdidos, no mínimo, quinze minutos para que seja descoberto o significado. Os personagens chegam a ir até o gabinete da subprefeitura para perguntar o que poderia ser visto facilmente em um dicionário (ou, simplesmente, não ter sido acrescentado ao filme, o que seria um grande favor). Outro coisa que irrita bastante são as infindáveis e desnecessárias discussões sobre o conteúdo do roteiro. O desperdício de tempo é a pricipal característica deste longa de 112 minutos, que poderiam ter sido facilmente reduzidos a uns 90 minutos.

O elenco de “Saneamento Básico, O Filme” é excelente. E desperdiçado. Primeiro, porque nem um elenco com os melhores atores da história faria com que este filme fosse bom (nem ao menos razoável). Segundo, porque a direção de Jorge Furtado é péssima. Impressionante como um diretor não consegue extrair absolutamente nada de seus atores, deixando-os sem qualquer rumo, utlizando apenas seu talento natural falar. E nisso, Fernanda Torres é a que mais se sobrassai. Melhor atriz de comédia do Brasil na atualidade, ela traz para si todos os holofotes, pois, com seu jeito desleixado, é a (única) responsável pelos risos do espectador. Nenhum outro ator consegue arrancar do espectador nem ao menos um risinho de canto dos lábios. É realmente uma pena que Lázaro Ramos, Camila Pitanga e cia tenham feito a grande besteira de aceitar fazer um filme como esse, ruim do começo ao fim.

O roteiro é péssimo. São raros os filmes de comédia que não me fazem rir, mas Jorge Furtado conseguiu essa proeza, pois, além de dirigir, ele roteirizou esta tragédia. Sinceramente, não sei o que se passa na mente de pessoas que têm péssimas idéias e, mesmo assim, insistem em pô-las em prática. E o pior: Jorge Furtado trabalhou por 2 anos neste roteiro, sinal de que ele desperdiçou completamente 2 anos de sua vida. É realmente lamentável que um profissional do gabarito de Jorge Furtado tenha tido um deslize tão grande em sua carreira.

“Saneamento Básico, O Filme” não consegue agradar nem aos amantes incodicionais de comédia. Se você espera assistir a um filme de comédia nacional, eu poderia recomendar vários. Mas tenha certeza de que este não estará na minha lista.


Por Danilo Henrique

Super-Herói: O Filme

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Nota: 0

Imagine um filme de comédia que tenta misturar um super-herói com um besteirol americano. Imagine os efeitos especiais mais bizarros que possam ser aplicados em um filme do século XXI com um orçamento de 35 milhões de dólares. Imagine um elenco razoável, mas que não demonstra o mínimo carisma e comicidade para estar em um filme de comédia, e não tem seu talento, mesmo que não seja grande, explorado pelo diretor Craig Mazin. Imagine um bom ator de comédia que está em decadência, a ponto de aceitar qualquer roteiro. Some tudo isso que você terá o resultado deste ridículo “Super-Herói: O Filme” (Superhero Movie, 2008) , que não conseguiu arrancar de mim uma gargalhada sequer. E é quase torturante gastar mais uns 40 minutos da minha vida lembrando esse desastre a que chamam de filme.

Rick Riker (Drake Bell) é um adolescente com os problemas que Hollywood adora explorar: é excluído na escola, tem uma grande dificuldade para fazer amigos e conquistar seu amor, a bela Jill Johnson (Sara Paxton). Rick vai em uma excursão da escola a uma exposição de animais geneticamente modificados, onde é picado por uma libélula. A partir disso, seu corpo começa a ganhar características não-humanas. Rick, percebendo isso, decide criar uma fantasia e incorporar um super-herói: o Homem-Libélula. Apesar disso, ele insiste em não se tornar um herói, dilema chato e irritante que persiste até o final do filme. Paralela a isso, passa-se outra história, a de Lou Landers (Christopher McDonald), que, após se livrar da morte utilizando uma máquina desenvolvida por sua empresa, passa a ter o poder de “roubar” a vida dos outros. Com isso, ele se transforma no vilão da história, o Ampulheta.

Filmes de comédia normalmente não têm um orçamento muito grande, pois não necessitam de recursos tecnológicos para produzir, por exemplo, efeitos especiais. Mas em “Super-Herói: O Filme” os efeitos especiais são usados, o orçamento é bom, e o que acontece? Os espectadores são obrigados a assistir a efeitos grotescos, parecendo terem sido importados das novelas brasileiras (Ex.: Mutantes, da Record). Sim, são ruins mesmo, como o fogo que aparece no corpo do Tocha Humana, mais falso do que nota de R$3.

O elenco do filme, não vou mentir, não é ruim. Com nomes como Leslie Nielsen e Christopher McDonald, “Super-Herói: O Filme” tinha tudo para dar menos errado. Mas o diretor Craig Mazin não fazia idéia do que estava fazendo, não conseguindo extrair o mínimo do que tinha nas mãos, dando resultado a atuações completamente deploráveis. O protagonista Drake Bell não tem o mínimo carisma para interpretar o Homem-Libélula, não conseguindo passar a alma de um herói. A protagonista feminina, Sara Paxton, tem uma atuação irritante como a loira sem conteúdo Jill, que só se importa em mostrar seu corpo. O vilão Ampulheta, interpretado por Christopher McDonald não é verossímil, e Leslie Nielsen parece estar aceitando qualquer tipo de papel, por não aparecer quase em um filme patético como este. Ele não pôde mostrar quase seu talento, pois seu personagem tem aparições limitadíssimas.

O longa não apresenta seqüências cômicas. Aliás, quase não apresenta cenas cômicas, pois confesso que foi muito difícil conseguirem arrancar uma risada de mim. Mas, normalmente, quando o trunfo de um filme de comédia não são as seqüências cômicas, a história dá um show. Mas “Super-Herói: O Filme” não tem história nem pra peça de teatro escolar. Os diálogos são completamente banais e vazios, irritando muito a quem tenta ver uma lógica para o filme ter sido feito, já que é quase uma imitação da série “Todo Mundo em Pânico”. O pior: o filme foi feito pelos mesmos produtores da série citada, o que agrava ainda mais, pelo fato de a série ter sido engraçada e este filme, não.

“Super-Herói: O Filme” é apenas mais um filme de besteirol, do qual nada de bom pode ser tirado. Sinceramente, não sei o que passa na cabeça de pessoas que se sujeitam a gastar US$35 milhões pra mandar para as telas um desastre como esse. Um filme que chega ao ponto de ridicularizar um homem sobre cadeira de rodas não merece tomar 71 minutos da vida de ninguém. É ridículo, completamente ridículo! Por favor, não perca seu tempo com personagens idiotas, com um roteiro babaca e com uma direção incompetente. É um candidato fortíssimo a pior filme do ano.


Por Danilo Henrique

Muito Gelo e Dois Dedos D’Água

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Nota: 9.5

Para começar esta crítica, gostaria de dizer que eu não sou daquele tipo de pessoa nacionalista ao extremo, que, só pelo fato de o filme ser brasileiro, já diz que ele é uma maravilha. Pelo contrário, são poucos os filmes nacionais que me agradam. E este “Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” (2006) é um dos que conseguiram realizar essa proeza, com o maravilhoso roteiro de Alexandre Machado e Fernanda Young (que já me encantavam com “Os Normais”).

Roberta (Mariana Ximenes) é uma jovem que cresceu sendo odiada pela avó (Laura Cardoso). Sofria críticas das mais variadas magnitudes, era mal-tratada constantemente em suas viagens para a praia junto com a avó e a irmã, Suzana (Paloma Duarte). Certo dia, Roberta vai à casa de sua avó e a seqüestra, pondo-a desacordada com um golpe de peça de porcelana. Feito isso, ela vai até a casa de Suzana, propondo-lhe que façam uma viagem de volta ao lugar onde eram torturadas pela avó, passando lá o fim de semana. Como no domingo é aniversário de seu filho, Tiago (Matheus Costa), o marido de Suzana, Francisco (Thiago Lacerda), pede-lhe que não faça a viagem. Mas o principal motivo do pedido é que Francisco não gosta de Roberta, por achar que ela é uma viciada. Então, ele resolve seguí-las nessa viagem.

No entanto, Roberta e Suzana não vão sozinhas com a avó. Roberta conhece Renato (Ângelo Paes Leme) em um restaurante, salva-o de uma confusão – causando mais confusão ainda – e o carrega junto na viagem. Viagem essa que contém as melhores cenas do filme, trazendo seqüências de tirar o fôlego de tanto rir. E é durante a viagem também que aparecem as deslumbrantes locações de Alagoas, onde o filme é rodado em sua totalidade. Há ainda se de ressaltar a atrapalhada viagem do atrapalhado Francisco, que fica um tempão procurando as irmãs e só encontra confusão.

“Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” conta com cenas de rachar de rir. Muitas. Destaque para a cena em que Roberta e Suzana fazem um strip-tease para Renato, e vice-versa, que provoca dores de cabeça em quem não aguenta rir por muito tempo. Além dessa, há ainda a “cena da máscara de Hannibal”, sobre a qual eu não darei detalhes, a surpresa é por sua conta! Mas, apesar de ser recheado de cenas cômicas, “Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” mostra que também sabe falar sério, apresentando cenas dramáticas capazes de arrancar lágrimas dos olhos do espectador. As cenas possuem um equilíbrio fenomenal, graças à competentíssima dupla de roteiristas, que mostram mais o seu talento a cada produção. O único defeito do roteiro, talvez do filme, é que as cenas de tortura da avó poderiam ter sido um pouco mais exporadas, embora as que foram apresentadas tenham sido impagáveis.

O elenco do longa é excelente. Não consegui encontrar um membro ruim sequer. Todos atuam em consonância, mantendo um nível elevadíssimo de atuações. Destaque para Mariana Ximenes e sua maldade acompanhada de sentimentalismo. Ela consegue nos fazer rir, chorar e sentir pena de sua megera avó. Avó que, interpretada por Laura Cardoso, é sensacional, fazendo-nos ter acessos de riso incontroláveis com suas canções pré-históricas e suas referências ao ex-presidente do Brasil Emílio Garrastazu Médici. Paloma Duarte tem uma atuação segura como a irmã “racional”, mas não menos vingativa de Roberta, e Thiago Lacerda faz muito bem o atrapalhado Francisco.

“Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” traz inovações agradabilíssimas em seu decorrer. Um exemplo ocorre logo na primeira cena: o uso de animações para fazer os chamados flash-backs. O recurso funciona muito bem. Outro fator de que gostei muito foi a transição de cenas, excelente e inovadora, que deveria ser mais utilizada tanto no cinema brasileiro quanto no estrangeiro.

O longa conta com um final aberto a interpretações e especulações, pois não deixa 100% claro se é real ou não. Mas eu diria que vale a pena colocar a cabeça para pensar depois de assistir a 95 minutos maravilhosos de uma comédia que anima o dia de qualquer um com sua irreverência, humor e boas atuações. Eu não me recordo de ter gargalhado tanto assistindo a um filme de comédia quanto gargalhei neste grande filme brasileiro. Um dos melhores filmes brasileiros já lançados.


Por Danilo Henrique

Eu os Declaro Marido e… Larry!

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Nota: 7.0

Filmes que têm como temática central assuntos complicados de lidar e delicados (como homossexualidade, preconceito racial e deficiências), devem ser conduzidos de maneira segura e cuidadosa, para não dar margem a críticas por má abordagem. “Eu os Declaro Marido e… Larry!” (I now pronounce you Chuck and Larry, 2007) trata de maneira correta a homossexualidade, fazendo algumas piadas homofóbicas sem exagero e criticando duramente todo o tipo de preconceito.

Chuck Levine (Adam Sandler) e Larry Valentine (Kevin James) são companheiros de trabalho no Corpo de Bombeiros do Brooklyn há vários anos, sendo, também, melhores amigos. Quando Chuck salva a vida de Larry em um acidente de trabalho, recebe do amigo a promessa de que será recompensado um dia. No entanto, quando Chuck vai receber a “retribuição do favor”, Larry tem uma surpresa: Chuck quer que eles se casem. O motivo: como Chuck não consegue colocar seus bens no nome dos filhos, ele propõe o casamento para que seus bens, após sua morte, sejam repassados a uma pessoa de confiança. No entanto, como esse ato de fazer um casamento forjado é contra a lei, um burocrata da justiça os persegue, tentando fazê-los revelar o “romance” para a sociedade.

“Eu os Declaro…” nos proporciona uma 1ª seqüência memorável, em que um homem obeso é salvo de um prédio em chamas. Mas aproveite ao máximo essa cena, porque você vai demorar bastante a dar mais do que um risinho. O longa tem várias oscilações de sequências cômicas, ficando alguns buracos entre elas. Eu diria que o filme demora um pouco a entrar no clima de comédia, mas não chega a engrenar. Outra cena que merece ser vista com atenção é quando Chuck e Larry dormem na mesma cama pela primeira vez (não vou falar o que acontece, assistam ao filme!), que provoca a qualquer pessoa, mesmo as mais carrancudas, risos incontroláveis.

Um grande ponto forte de “Eu os Declaro…” é a abordagem do preconceito sexual. O filme trata com cautela e correção atos preconceituosos cometidos por partes da sociedade (destaque para a cena em que manifestantes de uma igreja vão para a porta de uma festa gay para protestar), que, mesmo que estejamos no século XXI, ainda insiste em não respeitar as diferenças. Mesmo que os protagonistas não sejam realmente gays, com a convivência forçada com esse mundo, eles acabam defendendo a causa e participando de diversos eventos LGBT. Sempre indo na direção contrária ao preconceito.

Adam Sandler e Kevin James, que interpretam marido e marido, têm atuações excelentes, tanto na parte cômica quanto na dramática. Eles conseguiram dar uma demonstração de total entrega ao papel, o que dá uma verossimilhança grande aos personagens. Dentre os coadjuvantes, destaque total para a interpretação impecável de Cole Morgen, que faz o filho com tendências homossexuais de Larry. Seus ensaios para o musical de sapateado são hilários, e o garoto mostra um enorme carisma frente as câmeras.

“Eu os Declaro Marido e… Larry!”, com seus 115 minutos de duração (muito para um filme de comédia), consegue não cansar nem torrar a paciência de quem assiste. Mas, infelizmente, acaba tropeçando ao inserir um excesso de cenas dramáticas, deixando o filme com uma péssima distribuição de risadas. O longa tem poucas seqüências e cenas que provocam gargalhadas, o que acaba comprometendo bastante sua condição de filme de comédia.  Mas, apesar disso, o filme consegue passar a mensagem, de que todo o tipo de preconceito sexual deve ser combatido. Sempre!


Por Danilo Henrique