Jogos Mortais 5

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Nota: 7.25

A franquia “Jogos Mortais” foi iniciada em 2004, com um filme que foi considerado revolucionário, em virtude de sua abordagem diferenciada sobre a vida humana, os métodos inovadores de tortura e um final de deixar qualquer espectador boquiaberto. Mesmo com um orçamento baixíssimo, “Jogos Mortais 1” fez um sucesso imenso, dando origem a continuações. Os três filmes subseqüentes mantiveram a mesma essência e qualidade do primeiro, em todos os quesitos, inclusive na imprevisibilidade. Confesso que, diante de tamanha qualidade, eu me tornei um grande fã da série, ansiando para o lançamento de cada filme. Mas chega hoje aos cinemas brasileiros “Jogos Mortais 5” (Saw V, 2008) , sem dúvida, um dos filmes que mais me decepcionaram em toda minha vida. A queda em relação aos outros quatro é grotesca, o que dá origem a um filme simplesmente comum.

Após a morte de Jigsaw (Tobin Bell) e sua aprendiz Amanda (Shawnee Smith) no terceiro filme, o mestre da tortura é sucedido por mais um cúmplice, que é revelado em “Jogos Mortais 4”: o responsável pela investigação de seu caso, Detetive Mark Hoffman (Costas Mandylor). Sua marca, que não pode ser vista no quarto filme (pois os fatos são passados simultaneamente aos do terceiro), é mostrada logo na primeira cena (o que é característico da série, mostrar primeiro uma cena de tortura para depois começar a história propriamente dita), em que ele põe à prova um assassino que, em seu ponto de vista, teve sua pena muito abrandada. No entanto, seu jogo é completamente diferente dos de Jigsaw, pois o assassino faz o que lhe é imposto, mas morre do mesmo jeito. A história começa com a resolução dos finais de terceiro e quarto filme, que se encontram. O agente Strahm (Scott Patterson) consegue sair vivo da sala onde foi deixado, e passa a suspeitar que Hoffman teve algum envolvimento com a obra de Jigsaw. Disposto a continuar o legado de seu mestre, Hoffman inicia uma trama que visa eliminar todos os que lhe podem incriminar. Inclusive Strahm. Paralelo a tudo isso, cinco pessoas fazem um jogo coletivo, no qual testam sua capacidade de cooperação. As cenas desse jogo, que se assemelha um pouco ao passado no segundo filme, são as responsáveis pelo sangue que jorra no longa, mas não são muitas, o que o torna bem menos violento que seus dois antecessores.

O grande destaque do elenco de “Jogos Mortais 5” é, mais uma vez, Tobin Bell. Apesar de interpretar um personagem já falecido, o ator aparece em quase todas as cenas importantes do longa, já que a construção da história, assim como em “Jogos Mortais 4”, é feita com uma exploração grande de flashbacks. Sua atuação intensa (como sempre) nos dá a exata noção de como os jogos foram arquitetados, desde o primeiro filme, e como Hoffman foi introduzido na trama. Costas Mandylor é, também, responsável por essa clareza. Sólido, ele passa todas as emoções que se passam pela cabeça de Hoffman, indo do medo inicial à frieza que o legado que lhe foi deixado exige, de forma perfeita, sendo um co-protagonista à altura de Tobin. Scott Pattersen é um bom nome também, traduzindo muito bem os conflitos de seu agente Strahm. Como destaque negativo fica a utilização muitíssimo moderada de Betsy Russel, que apareceu muito bem no quarto filme como Jill, a ex-mulher de Jigsaw. Neste, ela recebe uma “herança” de Jigsaw, uma caixa misteriosa, cujo conteúdo não é revelado. Por outro lado, não gostei dos atores que representam as vítimas do jogo coletivo, faltando-lhes a essência necessária para participar dos filmes da franquia.

Este é o primeiro filme da franquia que não conta com pelo menos um membro da dupla responsável pela direção do primeiro filme, Leigh Whannel e Darren Linn Bousman. Bousman ficou até o quarto, mas Linn só completou os primeiros três. Neste “Jogos Mortais 5”, é perceptível que o talento dos dois faz uma falta imensa, visto que a essência foi bastante perdida. Mesmo com a manutenção da base do quarto filme, que são os flashbacks, vê-se que a diferença de abordagem, de como o recurso é utilizado, é bastante diferente. Infelizmente, para pior, pois neste, se vc piscar mais do que deve, já não vai mais saber se o que está passando na tela é flashback ou não. Outro aspecto que muda bastante são as mortes e as armadilhas, que decaíram muito em inteligência, e um pouco em crueldade. A parte visual do longa é boa, a maquiagem continua eficiente como se mostrou nos outros quatro filmes. E, é claro, não se pode deixar de ressaltar a trilha sonora, já que a música que embalou todos os finais da franquia continua arrepiando todos os pêlos do corpo.

“Jogos Mortais 5” tem um final, como os outros da franquia, bastante interessante e inteligente, mas acaba não sendo muito surpreendente. É provável que muitas pessoas, assim como aconteceu comigo, saibam o que vai ocorrer no final. Não o modo como ocorre, que é arrepiante, mas o fato que acontece. E esse é mais um ponto contra o quinto filme da franquia. E é também um final que, apesar da promessa dos seis filmes, não deixa quase abertura para uma continuação, a não ser que resolvam explorar o conteúdo da caixa recebida por Jill. Mas, sinceramente, apesar de ser um grande fã da série, espero que esse laçamento não seja feito. Eu não suportaria mais um declínio de qualidade como esse.


Por Danilo Henrique

Jogos Mortais 4

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Nota: 9.75

É bastante raro um filme de terror ter força suficiente para chegar a uma seqüência. Mas, apesar disso, alguns produtores insistem em levar às telas seus filmes “que completam o original”, mesmo que a maioria dessas continuações sejam verdadeiros caça-níquel. Por isso é impressionante que a franquia “Jogos Mortais” chegue a este “Jogos Mortais 4” (Saw 4, 2007), e que a força do primeiro filme é mantida até o quarto. Mais impressionante ainda é que esses quatro filmes foram produzidos em anos subseqüentes, começando em 2004 e chegando ao quarto em 2007, com o lançamento do quinto marcado para amanhã.  E o primeiro filme da segunda parte da prometida hexalogia de Jogos Mortais mostra-se ser o mais eclético de todos, dando espaço para a tortura, para a investigação policial e para o sentimentalismo (essencial para o desenrolar da trama).

Jigsaw (Tobin Bell) e Amanda (Shawnee Smith) estão mortos, o que nos leva à conclusão óbvia de que Jigsaw tinha preparado um novo discípulo antes de sua morte. Discípulo este que demonstra ter a mesma eficiência e crueldade de seus antecessores, o que pode ser comprovado pela primeira armadilha, uma das mais impressionantes da franquia. Mas a história gira em torno principalmente do Tenente Rigg (Lyriq Bent). Após encontrar, junto com os demais policiais, a detetive Kerry (Dina Meyer) no local de seu jogo, que culminou em sua morte, Rigg entra em desespero, pois todos ao seu redor sempre acabam morrendo. Dentro desse contexto, Rigg é seqüestrado pelo novo discípulo de Jigsaw, tendo que passar por uma série de testes, para, enfim, chegar ao objetivo final (uma verdadeira obsessão do tenente), que é salvar os detetives Hoffman (Costas Mandylor) e Matthews (Donnie Wahlberg) (sim, ele está vivo!). Esses teste ocorrem em vários pontos da cidade, envolvendo jogos de outras pessoas, sempre mostrando a Rigg alguns dos sentimentos de Jigsaw quando arquiteta seus jogos (utilizando frases como “Veja o que eu vejo”, “Sinta o que eu sinto” e “Salve como eu salvo”). Para passar por todos esses teste e chegar ao final do jogo, Rigg tem apenas 90 minutos, que devem ser utilizados com total cuidado. Enquanto isso, os detetives Strahm (Scott Paterson) e Perez (Athena Karkanis), que participaram da incursão que encontrou o corpo da detetive Kerry, iniciam uma investigação meticulosa para descobrir quem está dando seqüência aos cruéis jogos de Jigsaw e Amanda. E os caminhos apontam para Jill Tuck (Betsy Russel), ex-mulher do gênio do horror.

Seguindo o caminho dos outros filmes da série, mas agora, pela primeira vez, sem a participação de Leigh Whannell na direção ao lado de Darren Lynn Bousman, “Jogos Mortais 4” apresenta cenas que certamente vão ficar na cabeça do espectador por bastante tempo. No primeiro, temos Dr. Gordon (Cary Elwes) cortando o próprio pé; no segundo, temos Amanda caindo em uma “piscina de seringas”; no terceiro, temos a cirurgia no cérebro de Jigsaw. Neste quarto filme, temos uma autópsia perfeita feita em Jigsaw. Não é perfeita no sentido de sanguinária, é perfeita no sentido de fidedigna. As estruturas internas do corpo humano, mesmo as mais detalhadas, são mostradas, dando um caráter extremamente realista ao procedimento. As armadilhas mantiveram o ótimo nível, mas, como já foi citado, a melhor é a primeira, que coloca em prova as reações do ser humano quando algo lhe é tirado. O sentimento faz-se presente neste “Jogos Mortais 4” de maneira totalmente propícia, útil, levando a esclarecimentos sobre o passado de Jigsaw. Por exemplo, ele não se tornou um “assassino” (o que eu não creio que ele seja) apenas pelo fato de ter câncer, mas também por uma perda irremediável em sua vida (não vou estragar a surpresa). Há um aspecto muito mais humano em Jigsaw do que você pode imaginar, até aceitar.

A parte visual de “Jogos Mortais 4” é excelente, assim como dos outros filmes da franquia. Maquiagens muito bem feitas dão um tom maior de realismo às cruéis armadilhas, e dão também o tradicional frio na barriga. A trilha sonora, liderada pela música que arrepia ainda mais a nossa nuca no final de cada filme da série, é muito boa, ditando o ritmo com que é conduzida a trama. O elenco é, mais uma vez, bastante homogêneo, com boas atuações de todos os atores. Destaque, como sempre, para Tobin Bell, com seu incansável Jigsaw. A cada filme, o ator mostra-se mais talentoso, confirmando o grande acerto feito no primeiro filme, pois, como Jigsaw aparecia muito pouco e tinha umas 20 palavras para falar, eles poderiam ter escalado o faxineiro do estúdio (nada contra os faxineiros, por favor) para ficar ali deitado durante quase duas horas. Mas o presente que nos deram foi imenso, e Tobin Bell pode ser considerado como um dos principais responsáveis por tamanho sucesso da franquia. Também pode-se destacar a atuação de Lyriq Bent, como o atormentado Tenente Rigg. Seu personagem, que sempre quer salvar todos sem se preocupar com o que deve fazer, é bastante complexo, pois enfrenta vários dilemas em seus testes. Outro bom nome do elenco é Betsy Russel, como Jill, a ex-mulher de Jigsaw. Sua atuação convincente confere à personagem a força necessária para retratar os dramas sofridos ao longo de sua vida e, é claro, o drama que enfrenta ao ser considerada suspeita.

“Jogos Mortais 4”, como já foi dito, mantém o nível das outras produções. Mas, infelizmente, comete um pequeno erro, que é utilizar personagens demais. Quando você se dá conta, descobre que não sabe mais quem é quem, e isso atrapalha bastante seu entendimento da trama. E, neste filme que exige o máximo de atenção, em virtude da quantidade de informações que são passadas, perder o rumo não é muito aconselhável.

Como “Jogos Mortais 4” é uma continuação que não começa de onde o terceiro filme terminou, algumas pessoas chegaram a considerar seu lançamento desnecessário, o que não é verdade. Ainda há muito o que descobrirmos sobre Jigsaw, seus jogos e seus discípulos. E prepare-se para se surpreender ao ser revelada a identidade do discípulo deste quarto filme, cujo final é excelente, como os três que o antecederam. Fica agora a expectativa para o lançamento do 5º filme, que será amanhã. E, claro, espere a crítica neste site. E lembre-se: “Os jogos estão apenas começando!”.


Por Danilo Henrique

Shrek Terceiro

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Nota: 6.0

Dizer que a DreamWorks domina com muita folga o mercado das animações, é repetir o que todo mundo fala hoje em dia. Os acertos da produtora americana têm sido muito maiores que os erros, e a franquia “Shrek” foi extendida até o terceiro longa. Mas, infelizmente, como acontece em quase todas as seqüências, a força do primeiro filme não é mantida, o que gera continuações normais, até chegando a serem chatinhas. Por isso, “Shrek Terceiro” (Shrek the Third, 2007), decepciona demais.

A história começa quando o rei Harold, pai de Fiona, morre repentinamente, deixando a coroa para Shrek, o que desagrada imensamente o ogro. No entanto, Harold deixa uma opção para Shrek, para o caso de ele não querer assumir o reinado de Tão Tão Distante: encontrar Artie, primo de Fiona, e fazer com que ele assuma a coroa real. Com essa proposta, Shrek parte, juntamente com o Burro e o Gato de Botas (sem Fiona, pois ela está grávida), para encontrar Artie, passando pelas confusões de sempre. Mas, como em toda história de conto de fadas há um vilão, durante o período em que Shrek esteve fora, o Príncipe Encantado (que nada tem de encantado) coloca em prática seu plano maligno: reunir todos os personagens que se dão mal em contos de fadas para terem seu dia de “Felizes para sempre”.

A principal busca das produtoras de animação tem sido entreter tanto as crianças quanto os pais que levam os filhos ao cinema. Para isso, criam histórias cada vez mais imaginativas e engraçadas, sem serem bobinhas demais para adultos. Infelizmente, este aspecto não é explorado com força em “Shrek Terceiro”, já que o enredo é bastante simples e sua abordagem é boba várias vezes. Não que não seja bom entrar com o mérito da inocência, já que o público-alvo é o infantil, mas até as crianças podem achar o filme bobo demais. A premissa é simples demais para se fazer uma animação inteligente como foram os outros dois pertencentes à franquia e outros, dentre os quais está “Os Sem Floresta”, já criticado por este site. Tal premissa que acaba resultando em um excesso de clichês, dando a impressão de que você já viu algo parecido em algum lugar.

Como se não bastasse a simplicidade do roteiro, “Shrek Terceiro” não é um show de humor. Aliás, muito pelo contrário, há uma ausência de cenas cômicas que chega a incomodar. Quando o roteiro nos privilegia com alguma, sim, é muito bom, elas têm qualidade indiscutível. Mas eu não entendo o motivo pelo qual essa qualidade é tão pouco explorada. Se ela fosse mais utilizada, a história ruim passaria despercebida, mas parece que há uma preocupação em explicar tudo o que se passa na tela, o que acaba sendo chato e repetitivo. O grande problema do longa é o foco dos produtores, que está longe de ser aplicável a uma animação com traços de fábula.

Em contrapartida, o áudio do filme é muito bom. A trilha sonora segura bem a história, e expressa o que os personagens não conseguem expressar. Personagens que são muito bem dublados na versão original (não tive a oportunidade de assistir na versão em português). Dentro desta equipe, estão Eddie Murphy (Burro), Justin Timberlake (Artie), Cameron Diaz (Fiona), Antonio Banderas (Gato de Botas) e Julie Andrews (Rainha Lillian). Todos cumprem seu papel com extrema correção, mostando que bons atores são, também, bons dubladores. A personagem que, na minha opinião, teve mais destaque, apesar de aparecer pouquíssimas vezes (outro grande erro do roteiro), é a Rainha Lillian. Além, é claro, do nosso querido e decadente ogro, que, mesmo com falas sem graça, consegue arrancar de nós ao menos um sorriso de canto de boca. Também poderiam ter sido feitas mais cenas com os filhos de Shrek e Fiona, o que exploraria a grande novidade do terceiro filme da franquia, além de eles serem muito engraçados.

“Shrek Terceiro”, apesar de ser uma aula de computação gráfica (confesso que, ao ver uma propaganda, cheguei a pensar por um momento que o Príncipe Encantado era de carne e osso, não feito em um computador), é a prova de que, por melhor que seja o filme, nem sempre convém fazer uma continuação. Esta foi, sem dúvida, uma das maiores decepções que já tive com o filme. Se você pretende assistir, mesmo que seja um fanático pela franquia, prepare-se para ter a mesma decepção que eu tive. Ou maior.


Por Danilo Henrique

Rise – A Ressureição

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Nota: 3.0

A produtora Ghost House Pictures tornou-se famosa em 2004, com o lançamento do bom “O Grito”. Depois, foi responsável pelo lançamento de filmes como “O Pesadelo” (péssimo) e “Os Mensageiros” (que eu confesso ainda não ter visto, mas pretendo fazê-lo em breve, postando aqui), que acabaram não fazendo muito sucesso. Até que chega direto às locadoras este terrível (no mal sentido) “Rise – A Ressureição” (Rise: Blood Hunter, 2007), mais um ponto contra a produtora de filmes de terror, que já passa a ter a qualidade de seus filmes bastante discutida.´

A história é conduzida quase toda em flashback, partindo do ponto em que uma bela moça é seqüestrada e salva e, logo em seguida, liberta por sua própria seqüestradora. Isso coloca várias dúvidas e confusão na cabeça do espectador, o que mostra a necessidade de se fazer uma volta no tempo, para que os fatos que antecederam o seqüestro fossem devidamente explicados. E não é o recurso do flashback que prejudica o filme, pelo contrário, ele é até bem feito. O grande problema é que a história é fraca, previsível, não traz novidades ao gênero “vampiro”, é bastante monótona e lembra muito um jogo de videogame (dos ruins).

Sadie Black (Lucy Liu) é uma jornalista que consegue fazer sua sonhada matéria de capa do jornal onde trabalha. No entanto, o assunto é bastante polêmico: uma seita de pessoas que se alimentam de sangue e se denominam vampiros. A mesma seita é a principal suspeita pela morte da filha de um policial, o que leva Sadie a investigar mais a fundo a organização, o que a coloca sob a perseguição de seus membros. Quando ela é encontrada (o que não leva muito tempo), é assassinada, mas não “morre” exatamente, pois ela acorda no necrotério e se dá conta de que também se tornou uma vampira. Então, ela decide ir atrás de seus assassinos, buscando a vingança durante quase o filme inteiro. E Sadie não descansa até acabar com todos, um por um. Mas seu principal alvo é o líder da seita, Bishop (James D’Arcy), que foi o responsável pela sua transformação.

“Rise – A Ressureição” tem um roteiro completamente vazio. Não dá para entender o motivo pelo qual a história não consegue avançar, fica batendo na mesma tecla o tempo inteiro, o que pode levar o espectador a simplesmente desistir de ver o filme, o que é uma boa opção para os que insistem em tentar assistir a esta bomba. A monotonia também incomoda bastante, já que nada de especial acontece durante o desenrolar dos fatos. Você sempre sabe o que vai acontecer na cena seguinte (quando alguma coisa realmente acontece), tamanha é a previsibilidade do longa. Realmente incomoda saber que foi gasto dinheiro para fazer um filme como esse.

Mas, como em quase todo filme, nem tudo é tão ruim em “Rise – A Ressureição”. A atuação de Lucy Liu é o ponto forte da trama, com uma atuação esforçada. Ela só não tem um grande destaque em virtude da fraqueza do roteiro, cujas cenas são banais a ponto de não exigirem praticamente nada de seus atores. Outro que se esforçou bastante foi Michael Chiklis, interpretando o detetive Rawlings. Teve um pouco mais de sorte que Lucy Liu, pois suas cenas eram im pouco mais complicadas. O outro ponto forte do longa são as mortes, que são bem feitas e cheias de sangue.

O restante do elenco é bastante fraco. Eu, sinceramente, não consigo imaginar um bom filme de terror com um ator fraco interpretando o vilão, que é o que acontece neste “Rise – A Ressureição”. James D’Arcy não tem o menos talento para receber um papel desta importância, o que acaba comprometendo bastante o resultado final. A trilha sonora e a fotografia são fracas, deixando o filme bastante vazio e sem vida.

Eu esperava bem mais deste “Rise – A Ressureição”. Não porque a temática é nova nem por causa de uma história excelente, já que foram produzidos inúmeros bons filmes de vampiro. Mas eu esperava que Sebástian Gutiérrez conseguisse explorar melhor um tema já bastante explorado, de um jeito particular. Mas, infelizmente, o único sentimento que fica quando os créditos finais começam a subir é o de decepção. Não espere encontrar algo novo neste longa, pois você irá ter a mesma decepção que tive.


Por Danilo Henrique

Saneamento Básico, O Filme

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Nota: 1.5

Alguns filmes brasileiros são verdadeiros orgulhos para nosso país. Eu poderia ficar, com o maior prazer, horas falando de “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “Casa de Areia” e “Os Normais, O Filme”. Mas, infelizmente, vou precisar ocupar meu tempo relembrando este ridículo “Saneamento Básico, O Filme” (idem, 2007), sem dúvida um dos piores filmes brasileiros dos últimos anos. E é também o maior desperdício de elenco que eu já vi, pois Fernanda Torres, Wagner Moura e Tonico Pereira não precisavam passar por esse tipo de humilhação.

A história é simples e banal. Os moradores de Linha Cristal, uma pequena vila gaúcha, reúnem-se para discutir a respeito da construção de uma fossa para o tratamento do esgoto do local, que incomoda muito com cheiro ruim e transmissão de doenças. Eles elegem uma comissão representativa para requerer à subprefeitura a verba necessária para tal obra. Apesar de a secretária considerar a obra necessária, ela alega que não possui verba suficiente, e aconselha os moradores a entrarem em um concurso da prefeitura, que premiará com R$10 mil o melhor vídeo enviado. O concurso exige que seja apresentado um roteiro, que o filme seja de ficção e tenha, no mínimo 10 minutos. Com isso, os moradores resolvem fazer um filme sobre um monstro que mora nas obras de construção de uma fossa.

Apesar de “Saneamento Básico, O Filme” ser um filme de comédia, são muito poucas as cenas realmente engraçadas. O roteiro apresenta inúmeras tentativas frustradas de fazer o espectador rir, mas o máximo que consegue é irritar o coitado que tenta encontrar alguma diversão. O primeiro exemplo que me vem à cabeça é a patética e pouco inteligente discussão acerca do significado da palavra “ficção”. São perdidos, no mínimo, quinze minutos para que seja descoberto o significado. Os personagens chegam a ir até o gabinete da subprefeitura para perguntar o que poderia ser visto facilmente em um dicionário (ou, simplesmente, não ter sido acrescentado ao filme, o que seria um grande favor). Outro coisa que irrita bastante são as infindáveis e desnecessárias discussões sobre o conteúdo do roteiro. O desperdício de tempo é a pricipal característica deste longa de 112 minutos, que poderiam ter sido facilmente reduzidos a uns 90 minutos.

O elenco de “Saneamento Básico, O Filme” é excelente. E desperdiçado. Primeiro, porque nem um elenco com os melhores atores da história faria com que este filme fosse bom (nem ao menos razoável). Segundo, porque a direção de Jorge Furtado é péssima. Impressionante como um diretor não consegue extrair absolutamente nada de seus atores, deixando-os sem qualquer rumo, utlizando apenas seu talento natural falar. E nisso, Fernanda Torres é a que mais se sobrassai. Melhor atriz de comédia do Brasil na atualidade, ela traz para si todos os holofotes, pois, com seu jeito desleixado, é a (única) responsável pelos risos do espectador. Nenhum outro ator consegue arrancar do espectador nem ao menos um risinho de canto dos lábios. É realmente uma pena que Lázaro Ramos, Camila Pitanga e cia tenham feito a grande besteira de aceitar fazer um filme como esse, ruim do começo ao fim.

O roteiro é péssimo. São raros os filmes de comédia que não me fazem rir, mas Jorge Furtado conseguiu essa proeza, pois, além de dirigir, ele roteirizou esta tragédia. Sinceramente, não sei o que se passa na mente de pessoas que têm péssimas idéias e, mesmo assim, insistem em pô-las em prática. E o pior: Jorge Furtado trabalhou por 2 anos neste roteiro, sinal de que ele desperdiçou completamente 2 anos de sua vida. É realmente lamentável que um profissional do gabarito de Jorge Furtado tenha tido um deslize tão grande em sua carreira.

“Saneamento Básico, O Filme” não consegue agradar nem aos amantes incodicionais de comédia. Se você espera assistir a um filme de comédia nacional, eu poderia recomendar vários. Mas tenha certeza de que este não estará na minha lista.


Por Danilo Henrique

Paranóia

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Nota: 9.5

Os filmes de suspense adolescente vão ganhando mais espaço a cada dia. Depois do fenômeno da ótima série “Pânico”, recebemos verdadeiras bombas como “Pulse” e “Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado”, e algumas bênçãos como “Cry-Wolf: O Jogo da Mentira” e este sufocante “Paranóia” (Disturbia, 2007). É claro que nenhum destes consegue superar a clássica trilogia de Wes Craven, mas “Paranóia” consegue trazer algo novo ao batido mundo do suspense teen.

Kale Brencht (Shia LaBeouf) é um adolescente que sofre com a culpa pelo acidente que ocasionou a morte de seu pai. Abatido e desanimado, ele tenta levar a vida e ser feliz. Mas isso é prejudicado por seu professor de Espanhol que, ao provocar Kale em uma aula, acaba levando-o a desferir-lhe um soco no rosto. O ocorrido resulta a Kale a penosa pena de 3 meses em prisão domiciliar. Como se não bastasse ficar trancafiado em casa sem poder ultrapassar um raio de 30 metros da porta da casa, Kale ainda tem sua monótona vida prejudicada por sua mãe, que tira dele algumas de suas diversões, como seu videogame e sua televisão. Com isso, Kale passa os dias na internet e vigiando os vizinhos pela janela através de seus binóculos. E é assim que ele conhece Ashley (Sarah Roemer), a sua bela nova vizinha, de quem logo se torna amigo.

Um dos alicerces para Kale não enlouquecer é seu melhor amigo Ronnie (Aaron Yoo), que o visita constantemente e se torna um “companheiro de espionagem”. E é em uma dessas sessões de invasão da vida privada que Kale suspeita que seu misterioso vizinho, o Sr. Turner (David Morse), é um assassino. Recebendo a desconfiança solidária de seus amigos, Kale faz de tudo para provar que sua teoria é certa. A partir disso, os três amigos armam uma operação perigosa para incriminar o homem.

“Paranóia”, como todo suspense adolescente, tem seus defeitos e suas qualidades. Mas o que o difere dos filmes comuns é que a quantidade de suas qualidades supera imensamente os defeitos. A tensão é constante e uniforme durante os 104 minutos do longa, o que não permite que o espectador canse ou perca a vontade de continuar assistindo. Muito pelo contrário, faz com que anseie pela próxima cena o tempo inteiro, mantendo os olhos grudados na tela. Os acontecimentos passam-se num ritmo frenético, sem dar tempo para piscar os olhos ou respirar. A bela fotografia de Rogier Stoffers contribui imensamente para o clima de tensão ser criado e mantido de maneira claustrofóbica. A trilha sonora foi escolhida a dedo. Utilizada da maneira correta sempre, ela expressa perfeitamente todos os fatos e sentimentos de Kale, com destaque para “Lonely Day”, da banda norte-americana System of a Down. O único (repito, único) ponto em que “Paranóia” falha é a inevitável queda na obviedade. A história é complexa, mas acaba que algumas cenas são bastante previsíveis, apesar de não serem muitas, o que não atrapalha em nada o desenrolar da trama.

“Paranóia” possui um elenco de ouro. A aposta nos jovens foi perfeita, e os atores Shia LaBeouf, Aaron Yoo e Sarah Roemer cumprem seus papéis de maneira sensacional. Os experientes Carie-Anne Moss e David Morse completam o excelente elenco central. Shia LaBeouf, interpretando o papel mais difícil da trama, o complexo e problemático Kale, tem uma atuação irretocável, digna dos grandes gênios de Hollywood. Eu diria que essa atuação confirma Shia como um dos grandes favoritos a astro de um futuro próximo do cinema mundial. O ator de 22 anos tem uma atuação sólida e convincente, passando as emoções do personagem com total perfeição e sintonia com a trama. Aaron e Sarah cumprem bem o papel de alicerces do protagonista, por vezes equiparando seu brilho com o do espetacular Shia. David é o “fantasma” da história, com seu papel de vilão incerto, o que é revelado no estarrecedor terceiro ato. Sua atuação, ajudada pelo roteiro, nos deixa em dúvida ininterrupta sobre a identidade do Sr. Turner, sendo incrivelmente verossímil.

Ao assistir a “Paranóia”, é impossível não se fazer uma comparação com “Janela Indiscreta”, do gênio Alfred Hitchcock. Aliás, o roteiro deste filme foi escrito por causa da refilmagem do clássico “Janela Indiscreta”, na década de 90, mas o estúdio deixou expirar o prazo de filmagem, que finalmente (e felizmente) foi feita em 2007. “Paranóia” é estruturado com várias reviravoltas, que conseguem ser em um número elevado e não tornar o enredo confuso. Com tensão rolando à solta, este é, sem dúvida, o melhor filme de suspense teen feito depois da trilogia “Pânico”. Se você quer doses cavalares de adrenalina em seu sangue, este é o filme que lhe recomendo!


Por Danilo Henrique

Os Sem Floresta

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Nota: 8.5

O mundo dos filmes de animação vem sendo disputado acirradamente pelas grandes potências Pixar e DreamWorks. Tudo começou com o lançamento do histórico “Toy Story” em 1995, o primeiro filme feito totalmente em computação gráfica. Após isso, viu-se um domínio completo da Pixar em filmes do gênero. No entanto, a concorrência foi criada e a DreamWorks lança a cada dia filmes melhores que a pioneira, tendo a dominação do gênero pendida para seu lado. Uma prova disso é este ótimo “Os Sem Floresta” (Over the Hedge, 2006).

RJ é um guaxinim que após tentar roubar a comida de um urso, ter a tentativa frustrada e ser intimado a repor todo o estoque perdido no barranco, encontra um grupo de animais em final de hibernação, no começo da primavera. Animais que, ao saírem do período de descanso, se deparam com uma grande surpresa. O espaço em que vivem ganhou uma limitação, um grande arbusto (ao qual eles batizam carinhosamente de Steve) que, aparentemente, não tem fim. Intrigados com o novo “membro” da floresta, eles decidem mandar uma cobaia para atravessá-lo, descobrindo que ele representa uma divisa entre a porção de floresta em que eles vivem, que é cada dia menor, e um novo condomínio de luxo. Tentados por RJ, que diz que o mundo dos humanos é repleto de comida que pode ser adquirida facilmente, o grupo realiza inúmeros e hilários “ataques” ao condomínio, o que não é concordado pela tartaruga Verne.

“Os Sem Floresta” é mais uma prova de que filmes de animação não são feitos só para crianças, sendo capazes de entreter, agradar e até emocionar os mais crescidinhos. Mas os grandes beneficiados com esta bela história são as crianças. O normal de fábulas de animação é apresentar uma mensagem positiva, construtiva para a criança, o que é feito neste longa, e não é isso o que mais chama a atenção. A maneira como a história é conduzida, explorando de maneira cuidadosa assuntos delicados como confiabilidade em estranhos, fidelidade aos amigos e noção do que se pode ou não fazer é corretíssima. O aprendizado dos pequenos dá-se de modo divertido e eficaz. Nenhuma criança termina de ver o filme achando que roubar é certo, que amigos não devem ser preservados e que estranhos são totalmente confiáveis. Da mesma forma que não acho o filme uma sessão de tortura e de falso moralismo. Mérito para o quarteto de roteiristas (Len Blum, Lorne Cameron, David Hoselton e Karey Kirkpatrick), que acerta a mão em cheio.

Os personagens de “Os Sem Floresta” são divertidos e carismáticos. O grande destaque fica para o esquilo Hammy, que consegue ser mais engraçado que o sensacional esquilo de “Deu a Louca na Chapeuzinho”. O pequeno roedor é o maior responsável pelas gargalhadas do espectador, e suas aparições poderiam ter sido mais freqüentes e mais exploradas. O esperto RJ é muito bem construído, tornando-se um personagem que se aproxima bastante da realidade que se vê hoje em dia. Na versão em português, Preta Gil dá voz à simpática gambá Stela, que também não tem uma participação muito destacada, o que não é muito sentido, visto que é bastante secundária ao enredo.

“Os Sem Floresta” não é o melhor filme de animação que eu já vi, longe disso. Mas há de se destacar que é uma animação que cumpre com bastante correção e algum brilho o seu papel: divertir e ensinar. Mais um ponto para a DreamWorks na disputa contra a Pixar!


Por Danilo Henrique