Hitman – Assassino 47

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Nota: 2.0

O mercado cinematográfico vem sendo invadido e bombardeado com adaptações de games para as telonas. Os diretores não se cansam de explorar esse batido e fraco mercado (principalmente o alemão Uwe Boll, que é o mais persistente que conheço em matéria de fazer adaptações ruins) e as produtoras não têm o bom senso de pararem de aceitar roteiros desse tipo. Como em Hollywood nem tudo é como pensamos, “Hitman – Assassino 47” (Hitman, 2007), baseado no jogo homônimo da EIDOS, acabou sendo lançado, e mesmo com seu orçamento recheado e boa bilheteria, provou de vez que adaptar games quase nunca é garantia de qualidade.

Uma instituição denominada “A Agência” acolhe órfãos e crianças abandonadas para que se tornem especialistas em artes marciais e em manuseio de armas, visando a criação de assassinos de aluguel. As crianças não recebem nomes, mas sim números de códigos de barras, sendo chamados pelos dois últimos numerais. É daí que surge o Agente 47 (Timothy Olyphant), que, nesta trama, é contratado para assassinar um poderoso político russo, irmão de um igualmente poderoso traficante do país. O que 47 não esperava era que essa nova missão tratava-se apenas de uma tentativa de incriminá-lo em uma trama política, e será perseguido pela Interpol, pelos militares russos e pela própria agência que o criou. Cercado por todos os lados, 47 tem a seu favor apenas os ensinamentos que recebeu quando criança, em uma tentativa desenfreada de descobrir o autor dessa armadilha para ele.

O grande problema para “Hitman – Assassino 47” emplacar é o próprio roteiro, muitíssimo mal adaptado por Skip Woods (cujo trabalho eu não conhecia até este filme). Tudo é bastante previsível e comum, o que nos dá a séria impressão de que já vimos tudo isso em outro lugar (mesmo sem ter jogado o game). A começar pela história, bastante explorada e batida: quantos filmes de ciladas para tramas políticas você já viu em sua vida, mesmo se você não costuma assistir a filmes de ação? Qual a graça de colocar o personagem principal rodando o mundo inteiro à procura de confusas respostas e vingança, se já vimos isso em inúmeros outros filmes? O roteiro parece ser uma verdadeira colcha de retalhos, com um pouquinho de vários filmes que deram relativamente certo. E isso não é nada bom. Se o roteiro já não é bom, o que esperar da direção de um estreante em Hollywood, com um orçamento ótimo e a responsabilidade de transpor bem um game de grande sucesso para as telas? Pois o que vemos é Xavier Gens sem saber o que fazer com um roteiro ilógico e um elenco fraco. Para “compensar” de alguma forma, Gens abusa dos efeitos especiais, que são razoáveis, mas não conseguem fazer o espectador transbordar de adrenalina como acreditava ter feito. Aliás, o que mais falta no longa são motivos para o espectador se empolgar, já que todas as cenas, mesmo as de luta, acabam antes de atingirem seu limiar, além de uma trilha sonora bastante ineficaz. Ao invés disso, vemos confusão, fatos jogados sem maiores explicações, confusão, viagens do protagonista, confusão, lutas mal feitas e mais confusão. Já deu para perceber que a lógica não predomina, certo? Eis que, tendo em vista o desastre que poderia ser o filme, o diretor introduz uma reviravolta perto do final, que, provavelmente, ficou boa para seus olhos. O que acontece de fato é que todo mundo esperava essa mesma reviravolta, uma das mais tolas que já vi no cinema. Pobre Xavier Gens, Leigh Wannel e James Wan poderiam dar-lhe algumas aulas de como se fazer uma reviravolta decente. Apesar de tudo, “Hitman – Assassino 47” tem lá suas cenas legais, e conseguem entreter ligeiramente o público, mesmo que nada chegue ao ponto certo.

Se roteiro e diretor não ajudam, espera-se que o elenco segure as pontas, certo? Errado! A começar pelo protagonista, o mecânico Timothy Olyphant, que faz seu primeiro papel como protagonista. Antes mesmo de vermos sua interpretação, tendo em vista seus trabalhos anteriores, era inegável que ele não merecia tal papel, que quase foi assumido por Vin Diesel. Olyphant é um verdadeiro robozinho em cena, tanto no modo de falar quanto no de agir, tornado seu personagem bastante inverossímil e pouco carismático. Se Olyphant é ruim, o que dizer de Olga Kurilenko, que interpreta o affair do Agente 47. Sua atuação é totalmente inçossa e desprovida de qualquer emoção, sendo mais mecânica ainda que o ator protagonista. Ambos não têm o mínimo de química para contracenarem, o que incomoda bastante àqueles que não ficam atentos esperando apenas a próxima cena de luta. Henry Ian Cusick não chega a ser ruim como os dois anteriores, mas seu traficante russo durão não convence a ninguém. A melhor atuação acaba sendo a de Dougray Scott, como Mike, conseguindo transmitir um pouco de ação para a tela.

“Hitman – Assassino 47” é um filme de ação em que faltam vários ingredientes essenciais, como um protagonista atuante, um elenco coadjuvante razoável e boas doses de adrenalina. Estando tudo isso em falta, resta-nos rezar para que as produtoras tomem semancol e parem de aceitar roteiros baseados em games, o que, espero eu, está ficando cada dia mais perto.


Por Danilo Henrique

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Fim dos Tempos

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Nota: 1.0

É o fim. É simplesmente incrível, quase inaceitável, que um diretor e roteirista indicado ao Oscar vá do céu ao inferno tão drasticamente em tão poucos anos. Pois é o que aconteceu com M. Night Shyamalan, que obteve um sucesso impressionante com seu espetacular “O Sexto Sentido” (acertou em cheio também em “Sinais” e “A Vila”), mas não tem conseguido fazer seus últimos filmes emplacarem. Depois de seu último filme lançado, “A Dama na Água”, a carreira do indiano foi colocada em xeque por muita gente. Depois deste “Fim dos Tempos” (The Happening, 2008) , não sei se ele ainda terá uma carreira.

O professor de Biologia Elliot Moore (Mark Wahlberg) é surpreendido quando sua aula é interrompida e recebe a notícia de que sua cidade, Nova York, está sendo alvo de ataques terroristas. Ataques cujo efeito o espectador vê logo na primeira seqüência: as pessoas perdem a fala, ficam paralisadas e têm um impulso incontrolável de cometerem suicídio. Com a evacuação da cidade, Elliot junta-se à sua esposa, Alma (Zooey Deschanel), seu melhor amigo, Julian (John Leguizamo), e sua filha Jess (Ashlyn Sanchez) para uma viagem de trem rumo à Pensilvânia, onde sabe-se que nenhum ataque foi feito. Entretanto, no decorrer da viagem, o trem encontra problemas para prosseguir, e pára em uma cidade rural, longe de tudo, e as pessoas ficam sem comunicação com o mundo. Com o tempo, essas pessoas deparam-se com um fato pelo qual não esperavam: tudo leva a crer que os ataques, concentrados na costa nordeste dos EUA, por serem realizados sempre em parques, não são obra de terroristas. Então, Elliot vê que a Biologia nem sempre contém a verdade completa: as toxinas que levam as pessoas a se matarem vêm das plantas, que criaram um meio de alterarem sua composição química a fim de se defenderem, e estão espalhando as toxinas por todos os EUA, inclusive nessa cidadezinha. Com isso, Elliot e seus companheiros têm de fazer de tudo para salvar as próprias vidas e ajudar uns aos outros, antes que a toxina se espalhe e acabe com todos.

Shyamalan consegui fazer com que o público tivesse interesse com seu filme com atitudes que, na minha opinião, foram uma grande jogada de marketing. Ao tentar vender seu roteiro para a Warner, que produziu dois de seus filmes (“A Dama na Água” e “A Vila”), e tê-lo rejeitado, o indiano encontrou refúgio na Fox, que o produziu e o anunciou como o primeiro filme com censura “R” (para maiores de 17 anos) da carreira do diretor. Toda essa indefinição e um trailer excelente e chamativo fizeram com que o filme liderasse as bilheterias de vários países, tendo arrecadado US$30 milhões no final de semana da sexta-feira 13 de junho em 2008. Aliado a isso, ainda havia o nome de M. Night Shyamalan que, em virtude do sucesso de seu “O Sexto Sentido”, sempre chamou muita gente para as salas de cinema. Pobres das pessoas que, assim como eu, acreditaram que este filme seria a redenção de Shyamalan, que ele calaria a boca dos críticos que acreditaram que “A Dama na Água” seria o marco final de sua carreira. Mas, se “A Dama na Água” não foi esse marco final, aposto várias fichas que Shyamalan terá ainda mais dificuldades para vender seu próximo roteiro. Aliás, o indiano deveria começar a apostar unicamente em sua carreira de diretor, na qual sempre se mostrou muito bom, já que seus roteiros nem sempre são bons. Se Shyamalan não tinha grandes motivos para apostar em uma só carreira, “Fim dos Tempos” era o grande motivo de que ele precisava. Neste, o roteiro é espetacularmente fraco, chegando a ser ridículo em alguns pontos, o que nos pode levar a crer que o filme é feito por um estudante inicial de cinema. Os diálogos são imbecis, todos os personagens são obrigados a proferir falas patéticas, e há verdadeiros buracos negros na trama, fazendo com que as cenas não sigam uma ordem lógica e cronológica nem ao menos aceitáveis.

A proposta de Shyamalan de fazer um filme apocalíptico, a começar pelo título, é completamente furada, principalmente pelo fato de que os acontecimentos são passados apenas nos Estados Unidos. Além disso, o que vemos na tela não é uma destruição total da Terra em virtude do aquecimento global, mas sim a morte de pessoas de uma determinada área. Mas o grande problema da trama não é esse, mas sim o modo como as informações são ditas pelos personagens. A cada momento, são transmitidas para o espectador suposições dos personagens mais estranhos que você possa imaginar. E, por incrível que pareça, as teorias imbecis desses estranhos são a verdade, a base de tudo que está acontecendo. Ridículo, não? Tão ridículo que chega ao ponto de não conseguir fazer nenhum espectador temer pelo que está por vir, principalmente quando os personagens começam a fugir do vento! Sim, do vento! E pode ser que Shyamalan considere este o clímax de sua história, já que, mesmo olhando bem atentamente, não consegui encontrar um ponto realmente alto, realmente empolgante na trama. Mas, como é bem difícil um filme ter apenas erros, Shyamalan acerta em cheio no começo do filme. Apesar de tudo acontecer muito cedo, duas seqüências me chamaram muito a atenção: a primeira, aquela em que os construtores começam a se jogar de um prédio em obras; segunda, a seqüência em que várias pessoas se matam usando a mesma arma.

Como eu não estou aqui para perseguir o diretor/roteirista indiano, preciso reconhecer que a culpa pela péssima qualidade do filme não é só dele. O elenco de “Fim dos Tempos”, mesmo sendo bastante conhecido, protagoniza atuação para se esquecer. Mark Wahlberg mostra-se um péssimo protagonista, parecendo um verdadeiro profeta. Sua entonação de voz é extremamente artificial e forçada, fazendo com que os diálogos (que já são sem muita qualidade) sejam bastante comprometidos. Zooey Deschanel tem uma atuação terrível, parecendo estar constantemente alheia a tudo o que está acontecendo. Esquisita também é Ashlyn Sanchez, que interpreta Jess, a filha do personagem de John Leguizamo. A garota é absolutamente mecânica, não passa emoção nem carisma e suas falas não são nem um pouco naturais. John Leguizamo interpreta Julian, pai de Jess, e, mesmo não tendo uma atuação excelente, é o nome de maior destaque (ou de destaque menos negativo) do longa. Tudo isso, aliado a uma trilha sonora péssima e uma parte visual bem fraquinha, só podia dar o resultado visto nas telas.

É com imenso pesar que vejo a qualidade dos filmes de Shyamalan, que assustou minha infância com seu “O Sexto Sentido”, decaírem tanto. E o pior: neste “Fim dos Tempos” não há uma marca registrada do indiano, que é o final supreendente. Filme ruim sem final surpreendente? Decididamente, vai ser difícil Shyamalan conseguir se reerguer após tamanha queda.


Por Danilo Henrique

Crepúsculo

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Nota: 5.0

Nos últimos anos, tem sido bastante comum a adaptação de best-sellers para o cinema. O fato de a obra original ter um grande público aficcionado faz com que, independentemente de sua qualidade, o filme seja um grande sucesso. Alguns deles, quando passados para os cinemas, acabam tendo sua qualidade bastante diminída, como é o caso da série Harry Potter (cujos dois primeiros filmes são bastante decepcionantes) e o espetacular “O Código DaVinci”, que originou um filme simplesmente comum. Em contrapartida, outras obras geram filmes tão bons ou até melhores, como é o caso da trilogia “O Senhor dos Anéis” e “O Nevoeiro” (este último, sendo um conto vindo de um livro não tão best-seller assim). “Crepúsculo” (Twilight, 2008) , baseado no primeiro livro da série de cinco da escritora americana Stephenie Meyer, se encaixa perfeitamente na lista dos filmes que não têm nem a metade da qualidade do livro, o que não chega a ser um grande problema para os fãs mais apaixonados.

Bella Swan (Kristen Stewart) vai morar com seu pai, o chefe de polícia Charlie Swan (Billy Burke) na cidadezinha de Forks, pois sua mãe e seu padrasto (que é jogador de beisebol) necessitam fazer viagens constantes. Ao chegar no colégio, Bella logo ganha fama (por ser filha do chefe de polícia local) e admiradores, como o chato Mike Newton (Michael Welch) e o “puxa-saco” Eric (Justin Chon). Mas não é nenhuma dessas pessoas que chama a atenção de Bella: à primeira vista, ela fica fascinada por Edward Cullen (Robert Pattinson) e impressionada pela beleza de seus irmãos, Alice (Ashley Greene), Jasper (Jackson Rathbone), Emmet (Kellan Lutz) e Rosalie (Nikki Reed), todos filhos adotivos do médico da cidade, Dr. Carlisle (Peter Facinelli). Nem mesmo o fato de todos os Cullen parecerem que não vivem no mesmo mundo que os outros alunos da Forks High School impede que Bella, aos poucos, vá se apaixonando pelo misterioso Edward. Quando descobre que os Cullen não são uma família comum, mas uma família de vampiros, Bella age contra todas as expectativas e não demonstra medo de seu grande amor e sua família, mesmo sabendo que ele pode matá-la a qualquer momento. Mas o grande perigo pelo qual passa Bella não é a família em que está prestes a entrar, mas sim quando um grupo de vampiros sanguinários, liderado por James (Cam Gigandet) a encontra, dispostos a matá-la a qualquer custo.

O grande problema do roteiro de “Crepúsculo” é que nem ele sabe o tipo de filme que é. Quem já leu o livro sabe que se trata, priotariamente, de uma história de romance, com vários elementos de ação e mistério. Pois o roteiro não define um foco: é mostrado de tudo um pouco, mas nada de maneira satisfatória. Temos apenas pitadas do amor platônico de Bella e Edward, doses bastante homeopáticas do mistério que envolve a verdadeira identidade dos Cullen e pinceladas da ação decorrente da perseguição do bando a Bella. O que contribui fatalmente para isso é o fato de que o filme não é totalmente fiel ao livro. Sendo o livro narrado inteiramente em primeira pessoa por Bella, não seria possível vermos as cenas de James caçando, como vemos no longa. Não há um expectativa criada acerca dos assassinatos, já que sabemos exatamente quem os cometeu. Inclusive temos um final diferente do apresentado na obra de Stephenie Meyer, o que pode desagradar imensamente aos fãs. Temos, inclusive, momentos importantíssimos da trama (mais importantes até que o final) alterados pela roteirista Melissa Rosenberg, como o momento em que Edward confirma para Bella que ele é um vampiro (no livro é no Volvo do personagem, enquanto que no filme a cena é passada na floresta) e quando Bella profere as palavras que se encontram na contracapa do livro (“De três coisas eu estava convicta…”). Esta segunda acontece totalmente fora da ordem cronológica do filme, o que, se tratando de uma cena bastante aguardada pelos fãs, é totalmente inaceitável. Das cenas modificadas, a única que realmente dá certo é uma das cenas finais, que, claro, não será revelada aqui, mas que tem um nível de tensão e violência não vistos no livro de Stephenie. De resto, temos várias boas cenas sendo pouco exploradas, e um filme feito com bastante pressa, com seqüências bastante curtas que raramente conseguem chegar ao clímax. Apesar da tentativa da roteirista Melissa Rosenberg e da diretora Catherine Hardwick de estragarem tudo, “Crepúsculo” carrega uma ótima história da obra original de Stephenie Meyer, o que não pode ser perdido nem com as piores adaptações e direções.

O elenco de “Crepúsculo” era uma das coisas mais aguardadas do filme, em virtude da beleza de quase todos os personagens retratada por Stephenie Meyer em seu livro. E, realmente, o elenco foi escolhido a dedo, todos os personagens tiveram sua beleza extremamente bem representada. O grande problema é que nem sempre é possível combinar beleza com qualidade de atuação, o que é fortemente evidenciado. As únicas atuações que realmente chamam a atenção são Kristen Stewart e Ashley Greene. Kristen, que já participou do ótimo “O Quarto do Pânico” e do fraquinho “Os Mensageiros” com papéis importantes (sendo protagonista no segundo), entra na pele da protagonista apaixonada Bella Swan. Como de costume, Kristen transparece exatamente o que sua personagem exige. Tudo sai certo, desde a entonação da voz até as expressões faciais, o que torna sua personagem a mais fidedigna ao livro, inclusive no jeito desajeitado que ela incorpora com perfeição. Ashley Greene tem um papel mais secundário, como a divertida Alice Cullen, irmã de Edward. Ashey mostra na tela o que, provavelmente, todos os fãs que leram o livro imaginaram de Alice. Totalmente meiga e carismática, a atriz faz com que Alice, mesmo não aparecendo muito, seja querida até pelas pessoas que não tiveram a oportunidade de ler o livro. A maior decepção fica por conta de Robert Pattinson, o vampiro bonitão por quem Bella se apaixona e que faz as fãs suspirarem a cada cinco minutos. Robert é a maior prova de que beleza e qualidade nem sempre andam de mãos dadas. O ator tem alguns bons lampejos, como nas cenas das aulas de Biologia que faz junto com Bella, mas sua atuação, como um todo, é extremamente burocrática. Justin Chon, que interpreta Eric, um colega de escola de Bella, consegue fazer seu personagem (que, no livro, é aturável) ficar extremamente insuportável com sua atuação beirando o ridículo. Taylor Lautner, que interpreta Jacob Black, apesar de aparecer em, no máximo, 5 minutos de filme, tem uma atuação bastante segura, o que pode desfazer os rumores de sua substituição para o segundo filme da série, “Lua Nova”, cuja estréia está, a princípio, programada para o fim de 2009.

A parte visual de “Crepúsculo” é excelente, principalmente se tratando das belíssimas locações e cenários. Os efeitos especiais são ok, mas com uma ressalva: os efeitos usados para mostrar como Edward (e, eventualmente, todos os vampiros) ficam quando expostos à luz solar é fraquíssimo, não conseguindo traduzir a magnitude da narrativa de Stephenie Meyer. Todo o restante, como as cenas em que Edward usa e abusa de sua velocidade, é bem feito, não dando a impressão do “é impossível isso estar acontecendo”, comum quando vemos efeitos esdrúxulos. A trilha sonora é impecável, ditando o ritmo que nem sempre é sustentado pelo roteiro.

“Crepúsculo” é um filme feito para agradar aos fãs que não enxergam através da paixão, e, provavelmente, não vai deixar muito felizes os fãs que não se contentam com qualquer coisa. Se você, assim como eu, já leu o livro, não espere uma reprodução fiel do que estava nas páginas escritas por Stephenie Meyer, pois vai ter uma grande decepção. Se você não leu, este é apenas mais um desses filmes-pipoca que lançam toda semana nos cinemas, ou seja, apenas mais uma opção de diversão barata.


Por Danilo Henrique

Horton e o Mundo dos Quem

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Nota: 9.25

Todos sabemos que Jim Carrey é um dos melhores atores de comédia da atualidade. Ele ficou conhecido por protagonizar, pricipalmente, os filmes da série “Ace Ventura”. Mas ele tem se mostrado totalmente eficiente ao participar das adaptações de obras do famoso cartunista americano Dr. Seuss. Após protagonizar o ótimo “O Grinch”, Jim Carrey dubla o carismático e atrapalhado elefante Horton, nesta excelente animação “Horton e o Mundo dos Quem” (Horton Hears a Who!, 2008) , sem dúvida uma das melhores animações produzidas nos últimos anos. Iniciado por uma belíssima abertura, o filme veio para cativar crianças e adultos, com suas cenas divertidíssimas e várias lições de caráter.

Horton é um elefante que, certo dia, ouve uma vozinha vinda de uma partícula de poeira. Intrigado, ele segue o grão até ter o controle sobre ele. Mesmo não podendo provar para os outros animais, Horton espalha a novidade para as crianças, e é repreendido e ridicularizado pela “rainha da floresta”, a canguru. Convencido de que há pequenas pessoas vivendo em seu grão, Horton guarda a poeira como se fosse sua amiga, mesmo sendo totalmente desacreditado pelos outros animais da floresta, sendo taxado de louco e má influência aos mais jovens. No entanto, o atrapalhado elefante estava certo: dentro da partícula de poeira havia uma cidade, a Quemlândia. Apesar de Horton proteger a poeira, seus habitantes – os Quem – sofrem com a movimentação de seu mundo, onde acontecem vários abalos e alterações. Quando consegue estabelecer contato com Horton, o prefeito de Quemlândia faz-lhe um pedido: que coloque seu mundo em um lugar seguro, onde não haja perigo e não sofra tantas modificações. Mesmo com todos à sua volta acreditando que perdeu o juízo e com a perseguição constante da canguru, Horton decide ajudar, e não desiste até que seus novos amigos estejam em total segurança e paz.

“Horton e o Mundo dos Quem” é uma animação que consegue unir de maneira incrivelmente eficiente os caráteres educativo e cômico. A todo momento, são passadas informações e lições às crianças que raramente se vêem nos filmes. É inevitável que uma criança, ao terminar de ver este filme, não saiba pelo menos superficialmente que devemos ter respeito mesmo pelas coisas pequenas, e que devemos deixar toda e qualquer pessoa se expressar, mesmo que sua idéia seja vista como absurda ou impossível. E tudo isso é passado de forma simples e natural, não imposta, e não se torna maçante nem inadequado a um filme de animação. Os elementos cômicos são tão marcantes quanto os educacionais. É impossível não dar boas gargalhadas com as trapalhadas de Horton e sua aventura para ajudar os pequenos Quem.

O visual de “Horton e o Mundo dos Quem” não é um dos pontos fortes do filme. Mesmo ele sendo correto, até bonito, não é muito inovador, não conseguindo acompanhar as produções atuais como a trilogia “Shrek”. No entanto, a história em si e a dublagem acabam compensando essa pequena falha na parte visual. O roteiro é muito bem adaptado da história do Dr. Seuss por Ken Daurio e Cinco Paul. Com uma história simples, mas muito bem desenvolvida, “Horton e o Mundo dos Quem” prende bastante a atenção, e faz com que nós torçamos o tempo inteiro pelo sucesso de Horton em sua empreitada. É impossível não gostar e se encantar com o elefante, seus amigos microscópicos e os outros animais da floresta, com exceção, é claro, da maléfica canguru. É bastante difícil um filme de animação ter essa enorme uniformidade de personagens, o que acaba sendo um grande trunfo para “Horton e o Mundo dos Quem” ganhar o coração de todos que o assistem. E esse trunfo é ainda mais potencializado pelas vozes desses personagens. A dublagem é uma das mais eficientes que já vi, com nomes como Jim Carrey, Steve Carrel e Jesse McCartney. Jim e Carrel dublam, respectivamente, Horton e o prefeito de Quemlândia, constituindo uma dupla bastante carismática e afinada. As cenas protagonizadas pelos dois são as mais engraçadas, o que é bastante explorado pelo roteiro. Jesse McCartney faz a breve dublagem do filho do prefeito, Jojo, que não manifesta a menor vontade de assumir a prefeitura no lugar do pai. Jesse, que faz sua primeira dublagem em animações, mostra-se muito competente em fazê-lo, mesmo sendo por poucas cenas. Outro destaque vai para Charles Osgood, que é o narrados da história, sempre narrando em divertidos versos rimados.

Assistir a “Horton e o Mundo dos Quem” é uma experiência excelente tanto para as crianças quanto para seus pais. A diversão momentânea é garantida, e os ensinamentos passados ficam para sempre. Sem dúvida, uma das melhores animações do ano.


Por Danilo Henrique

O Nevoeiro

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Nota: 10

O aclamado mestre do horror Stephen King deve estar em polvorosa. Depois do ótimo “1408”, baseado em sua obra, ser filmado, chegou às telas em 2008 este espetacular “O Nevoeiro” (The Mist, 2007), sem dúvida o melhor filme baseado em obras do mestre, neste caso, um conto pertencente ao livro “Tripulação de Esqueletos”. É um filme que nos remonta aos grandes clássicos de terror, que realmente dão medo, que realmente são cruéis.

Uma cidadezinha do estado americano do Maine é assolada por uma grande e incomum tempestade. Sem telefone e energia elétrica, os moradores da cidade correm para o supermercado local para estocar o maior número de alimentos possível, já que a meteorologia indicava que uma nova tempestade estava por vir. Entre essas pessoas estão David Drayton (Thomas Jane) e seu filho Billy (Nathan Gamble), que tiveram a casa de barcos e uma janela destruídas pela tempestade. Pessoas essas que, em virtude da chegada de um espesso nevoeiro, ficam presas dentro do supermercado, o que é agravado pelo aviso de um dos moradores locais: o nevoeiro trazia algo realmente assustador, e ele teria visto uma pessoa sendo morta pela tal coisa que o nevoeiro trouxesse. E o sentimento de horror toma conta de todos no supermercado quando descobrem que há criaturas assustadoras lá fora, e que elas entrarem no local é apenas uma questão de tempo. E, diante da iminência da invasão das criaturas, David e Billy têm de se preocupar com um fator tão assutador quanto elas próprias: o fator humano, que põe em evidência as mais variadas reações e ações de pessoas em desespero. O medo, o terror e a fé (representada pela figura da fanática religiosa Sra. Carmody [Marcia Gay Harden]) mostram-se tão ou mais perigosos que as criaturas, e divide as pessoas no momento em que mais precisam estar unidas.

Normalmente, os filmes, sejam de terror ou não, têm seu ponto forte, seu ponto de destaque. E é esse um dos maiores diferenciais de “O Nevoeiro”: nenhum fator é muito diferente, nenhum grande destaque pode ser observado. Tudo, absolutamente tudo, é perfeito, uniforme, consonante. E o diretor e roteirista Frank Darabont mostra-se um verdadeiro especialista em levar as obras de Stephen King ao cinema. O mestre, que tem a qualidade de suas obras inquestionável, nem sempre mantém uma uniformidade. Alternando entre obras-primas (como “Carrie, a Estranha”) e verdadeiros lixos (como “Sonâmbulos”), King tem seu nome nem sempre bem vinculado a grandes filmes. No entanto, Frank Darabont tem a honra e a sorte de estar por trás dos ótimos “Um Sonho de Liberdade”, “À Espera de um Milagre” e este “O Nevoeiro”. Por coincidência, foi através do drama dos dois primeiros filmes que pudemos ver a qualidade das obras de King melhor representada nos cinemas, o que foi possibilitado pela estrela de Darabont. Por esse fato, surpreendeu a todos que Darabont fosse escolhido para roteirizar e dirigir “O Nevoeiro”, baseado no melhor dos contos do livro “Tripulação de Esqueletos”, um filme povoado de monstros. Mas Darabont, contrariando o que a maioria dos diretores fariam, não destaca as criaturas horripilantes, mas mostra-se um verdadeiro especialista em identificar o aspecto humano. É graças a Darabont que, ao longo do filme, passamos a temer tanto os “habitantes” do supermercado quanto as criaturas que o invadem e espalham medo entre as pessoas.

É impressionante o fato de que um filme de terror consiga ser passado quase em sua íntegra em apenas um ambiente. Poucos exemplos podem ser citados, mas nenhum fica tanto tempo na mesma habitação como fica “O Nevoeiro”. São impressionantes 105 minutos, de um total de 126, no mesmo supermercado, com as mesmas pessoas, mas com os conflitos sendo agravados a cada momento. E Darabont, o roteirista que adaptou de maneira genial o já genial conto de King, sustenta o clima de maneira perfeita. Ele nos transporta para dentro do supermercado a todo o tempo, fazendo-nos sentir tudo o que as desesperadas pessoas sentem. E o modo como o roteirista alia medo e fé é simplesmente arrebatador. O medo faz com que as pessoas reconsiderem tudo o que sua fé fazia-lhes acreditar, sendo completamente manipulados pela crença que lhes é imposta pela fanática Sra. Carmody, sobre quem falarei mais abaixo. Darabont tem o filme em suas mãos de tal forma que consegue fazer com que o foco do filme não fique apenas nas criaturas bastante caprichadas pelo pessoal dos efeitos especiais, mas que odiemos profundamente aqueles que se deixam levar pelos “ensinamentos” da religiosa, que dão origem a conseqüências inimagináveis.

O elenco de “O Nevoeiro” é um dos melhores já vistos em um filme de terror. A homogeneidade é impressionante, é impossível destacar um nome especificamente. David Drayton, o protagonista, é interpretado por Thomas Jane. O ator, excelente, teve o desprazer de atuar em um dos piores filmes de obras de Stephen King, “O Apanhador de Sonhos”. O pai desesperado para salvar a si mesmo, salvar o filho e ainda ajudar a todas as pessoas que pode das criaturas é interpretado por um ator completamente senhor de seu personagem, que faz o espectador sentir afeição imediata, sentir tensão e desespero junto com David. A atuação de Jane é intensa, o ator dá tudo de si pelo personagem, dando total verossimilhança. A atuação que mais convence e enche os olhos do espectador é de Marcia Gay Harden, na pele da Sra. Carmody. Em um filme de monstros tenebrosos, ela é a principal vilã, justificando seus atos atrozes pelo nome de Deus, o que se aproxima de muita coisa que vemos hoje em dia na vida real. Com seus discursos convincentes, ela é praticamente uma falsa profetisa, sendo que ela própria acredita no que diz, acredita que o caminho entre as pessoas presas no mercado podem ser conectadas a Deus através dela própria. E isso, em seu entendimento, dá-lhe o direito de condenar e sacrificar as pessoas. Com uma atuação digna de, pelo menos, uma indicação ao Oscar, apesar da homogeneidade das atuações, Marcia Gay Harden acaba sendo o nome de maior destaque, o nome de que os espectadores mais falam quando saem da sala de cinema. Mas, infelizmente, a Academia ainda insiste em fechar os olhos para o filmes de terror, o que torna injustiças como essa mais normais a cada dia. O pequeno Nathan Gamble é a grande revelação do longa. Interpretando Billy Drayton, filho de David, Nathan dá uma verdadeira aula às crianças que sonham em chegar ao concorrido mundo do cinema. Com uma atuação comovente e que não decai em momento algum, Nathan faz com que o espectador coloque seus próprios filhos em seu lugar, sendo espetacularmente verossímil. Com seus jovens dez anos de idade, o pequeno ator tem uma atuação de gente grande. Outros nomes do elenco são Andre Baugher como o advogado cético (que só não nos dá mais raiva que a fanática) e Toby Jones.

O que torna “O Nevoeiro”, talvez, o filme mais cruel já passado nas telas do cinema é o fato de que o roteiro não reluta em matar seus personagens. Não espere que os queridinhos sobrevivam até o fim e que os maus sejam eliminados, pois acabará sendo desapontado. Prepare-se para encarar um verdadeiro pesadelo, em que não há espaço para pena e facilidades. Prepare-se para um filme cruel desde seu início até o final. Final esse que é arrebatador, um verdadeiro soco no estômago, que nos leva a um desespero verdadeiro, fazendo-nos não querer acreditar no que nossos olhos vêem. Final esse que, embalado por uma música arrepiante, eventualmente leva o espectador às lágrimas, sendo considerado por mim o mais cruel de todos os tempos. Final esse que não consta no conto de Stephen King, e que foi imensamente elogiado pelo autor, que, inclusive, afirmou que gostaria de tê-lo em sua obra.“O Nevoeiro”, com sua infinidade de acertos e ausência de erros, é um verdadeiro candidato a se tornar clássico daqui a alguns anos.


Por Danilo Henrique