Truque de Mestre

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Nota: 5.5

Golpes divertidos + ritmo alucinante + excelentes interpretações + roteiro raso e limitado. Essa é a fórmula que levou “Truque de Mestre” (Now you see me, 2013) a arrebatar espectadores, arrecadar mais de US$ 350 milhões, receber uma cretina continuação em 2016 e a promessa de mais uma, programada para estrear em 2017. O filme segue pelo caminho mais seguro que poderia encontrar para o sucesso, faz muito bem o que se propõe a ser e, se não for encarado com muita seriedade, garante um ótimo divertimento. 

A história gira em torno do quarteto formado por Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Henley (Isla Fischer), Merrit (Woody Harrelson) e Jack (James Franco). Atlas é um mágico com alguma fama, Henley é sua ex-assistente que conseguiu seguir uma boa carreira solo como mágica. Jack usa seus poderes de ilusionismo para praticar pequenos furtos, enquanto Merrit é um mentalista especializado em hipnose, e também lança mão de seus poderes para enganar pessoas. 

Os quatro têm suas vidas mudadas quando são convocados por uma pessoa misteriosa que lhes incube a missão de expandir os horizontes de suas magias. O quarteto, que recebeu o nome de “Os Quatro Cavaleiros”, passa a fazer shows onde roubam bancos, cofres e contas bancárias repletas de dinheiro. Ciente do poder dos ilusionistas, que fizeram milhões de reais sumirem de um banco em Paris e pararem nas mãos da plateia do show ocorrido em Las Vegas, o FBI destina o agente Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) para a missão de capturar o quarteto. Para tanto, conta com a ajuda da jovem agente francesa da Interpol, Alma (Mélanie Laurent), e do ex-mágico Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), que largou sua carreira para desmascarar truques de ex-colegas de profissão. 

A premissa de “Truque de Mestre” é muito interessante. Os mágicos conseguem encantar a própria plateia presencial e quem está assistindo pelas telas, de tão engenhosos e incríveis que são seus truques. O problema é que, muitas vezes, o encantamento não é suficiente. Na maior parte do longa, somos hipnotizados pelas cenas muitíssimo bem dirigidas pelo competente Louis Leterrier. O diretor, responsável por filmes bem recebidos pela crítica como Carga Explosiva e Cão de Briga, imprimiu um ritmo frenético às cenas, o que cai muito bem ao filme, uma vez que isso consegue mascarar para os menos exigentes os graves problemas que o terrível roteiro possui.

Não é possível levar “Truque de Mestre” a sério. Se você tiver isso em mente, vai conseguir aproveitar os méritos do filme. No entanto, não há como deixar de comentar sobre o roteiro, que eu considero uma brincadeira de mau gosto. As mágicas feitas pelos Quatro Cavaleiros são dignas das aulas de Feitiços de Harry Potter – talvez nem em Hogwarts uma mulher saia voando dentro de uma bolha de sabão -, e não há como aceitá-las em um filme que não se rotula dentro do gênero “fantasia”. Algumas situações simplesmente são inadmissíveis, como uma perseguição muito semelhante ao game GTA, onde o carro que persegue sempre está no encalço do perseguido, independentemente de outros carros que se colocam no caminho ou de freadas bruscas que ocorrem. O personagem de Morgan Freeman é mais onisciente que o Deus interpretado pelo ator em “Todo Poderoso”; somente isso justifica que ele sempre saiba exatamente o que os mágicos fizeram em seus golpes, estando ciente de informações que são impossíveis que ele conheça. Há, ainda, um acidente cuja explicação é muito difícil de engolir, e só é aceito pelo público em virtude de um bem executado truque de câmera de Leterrier – este, o melhor mágico do filme, sem sombra de dúvida. Somando isso à canalha revelação final, que em nada acrescenta à experiência, além de inúmeros outros problemas, temos um roteiro sofrível, e não inteligente como pode parecer à primeira vista e sem prestar muita atenção.

Em uma narrativa, o autor deve conhecer profundamente seus personagens, para que haja verossimilhança e uma boa construção da história. No entanto, parece que os três roteiristas de “Truque de Mestre” – Ed Solomon, Boaz Yakin e Edward Ricourt – nem se deram o trabalho de desenvolver uma história para seus personagens. Não se sabe absolutamente nada sobre os mágicos, apenas que eles fazem mágicas; nada sobre os investigadores, apenas que eles investigam; nada sobre o ex-mágico, apenas que ele resolveu se diferenciar dos demais e ganhar mais dinheiro desvendando truques. Há uma preguiça surreal do trio de roteiristas em fazer seus personagens serem críveis, e um uso descarado de clichês na apresentação dos mesmos. O chefe do grupo, o excluído do grupo – quem assistir ao filme olhando no celular de vez em quando só vai notar a presença do personagem de James Franco no final do longa -, a investigadora bonitona, o investigador desesperado que não vê saída para a resolução do problema. Apesar disso, contamos com atuações muito boas de todos os atores, que compraram a ideia do filme e fizeram excelente trabalho – sobretudo os sempre ótimos Jesse Eisenberg e Woody Harrelson.

O público que busca entretenimento não irá se incomodar com os diversos problemas de “Truque de Mestre”. Como já mencionado acima, é um filme feito para se divertir, e atinge seu objetivo para aqueles que o assistem sem muitas expectativas. A direção delirante e ótima, associada a uma montagem ágil e não tão boa assim, além dos bons atores, proporciona uma boa experiência no geral, e salva o longa de um total fracasso. 

Por Danilo Martins

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