Harry Potter e a Câmara Secreta

Nota: 7.0
Após o enorme sucesso de público do primeiro filme (Harry Potter e a Pedra Filosofal), a série de J. K. Rowling foi às telas de cinema mais uma vez um ano depois, desta vez com o título de “Harry Potter e a Câmara Secreta” (“Harry Potter and the Chamber of Secrets”, 2002) e com praticamente a mesma equipe que levou a primeira aventura aos cinemas. Grande parte dos erros foi corrigida, mas o que vemos na segunda parte da milionária série ainda não é exatamente o que se pode esperar.
Depois de um conturbado primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry (Daniel Radcliffe) mostra-se preocupado por não ter recebido notícias de seus amigos de escola durante as férias. Preso em seu quarto, Harry recebe a visita de Dobby, um elfo doméstico, que tenta a qualquer custo impedir que Harry volte à escola, alegando que há grandes conspirações envolvendo sua morte. Claro que a criatura não obtém êxito, e Harry, ao voltar para Hogwarts, depara-se com um grande mistério. Alunos estão sendo atacados e petrificados e, pela inscrição em sangue que se encontrava no local do primeiro ataque (“A Câmara Secreta foi aberta. Inimigos do herdeiro… cuidado!”), os mais antigos no castelo acreditam que a Câmara Secreta foi reaberta e seu segredo mortal foi libertado novamente. E, junto com isso, surge o temor de que, assim como na outra vez, uma pessoa seja morta pelo monstro da câmara. Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) dedicam grande parte de seu tempo para desvendar o mistério, o que os leva a desvendar segredos de um passado que não morreu com o tempo.
Este segundo filme da milionária série, até por manter diretor e roteirista, é bastante parecido com o primeiro. O clima de mistério e suspense aumenta, mas poderia ter sido mais bem explorado pelo falho diretor Chris Columbus (em sua despedida da série). Já a magia e a “inocência” contidas em “… a Pedra Filosofal” continuam muito presentes, até porque essa história é ainda infantil se comparada aos filmes que vêm em seguida. Outro fator que se manteve praticamente intacto foi a direção de Chris Columbus, que permanece bastante burocrática. O diretor não muda nada do roteiro e o filme continua sem ter um toque pessoal do diretor. O roteiro, mais uma vez escrito por Steven Kloves supera bastante o primeiro, tanto pela maior presença de elementos de ação quanto pela menor preocupação em apresentar lugares e pessoas. Kloves mostra-se mais adaptado à série e consegue transmitir com sucesso o que Rowling escreveu em sua obra. No entanto, o roteirista erra em estender demais a história, pois um livro de 287 páginas não precisa de 161 minutos para ter sua história contada. Isso acaba deixando a trama, por vezes, com o ritmo desacelerado demais, deixando o espectador cansado e entediado. Mas não dá para negar que Columbus tenha culpa, já que as cenas muito grandes e algumas vezes sem ação têm um dedo do diretor, assim como seus cortes inesperados e, novamente, o caráter episódico.
Mais uma vez, a parte visual é a que merece maior destaque. Se “Harry Potter e a Pedra Filosofal” foi indicado ao Oscar em 3 categorias, é de total injustiça que este não tenha sido em nenhuma, já que a direção de arte, o figurino (categorias que renderam indicações a “… a Pedra Filosofal”) e os efeitos especiais estão melhores que o primeiro. O jogo de quadribol é infinitamente superior ao retratado no primeiro filme, e o cenário da cena final é espetacular, assim como é a seqüência do vôo do carro até Hogwarts. Nos efeitos especiais, não há vestígio do bizarro trasgo mostrado no primeiro filme. Dobby é extremamente verossímil e bem feito, assim como as aranhas da floresta proibida (sobretudo a aranha maior, Aragogue) e o enorme basilisco. O figurino é bastante parecido com o primeiro, mas há uma sensível melhora, até pelo fato de que o orçamento ficou mais gordo para este filme (estimado em mais de 100 milhões de dólares). Por vezes parecido com o de filmes de época, o figurino de “Harry Potter e a Câmara Secreta” acerta sempre, desde os uniformes de quadribol até as roupas cotidianas dos alunos. A parte sonora do longa também é excelente e a trilha sonora é bastante parecida com a do primeiro. Os efeitos sonoros acertam por não serem abusivos e descrevem quase que com excelência o que se passa na tela.
As atuações, assim como no primeiro filme da série, são em alto nível. Daniel Radcliffe está mais maduro como Harry Potter e sua atuação condiz com o momento pelo qual passa seu personagem. Rupert Grint está mais à vontade como Rony Weasley e sua comicidade está mais acentuada; já Emma Watson continua com suas expressões exageradas, mas nada que atrapalhe sua exibição perante as câmeras. O elenco adulto é praticamente perfeito, com um Alan Rickman mais uma vez inspirado como o Professor Snape e com Robbie Coltrane em ótima sintonia com seu personagem, Rúbeo Hagrid. Temos também um Richard Harris fenomenal no último papel de sua carreira, mais uma vez como um Alvo Dumbledore imponente e aparentemente cansado; e Maggie Smith com sua constante elegância como a Professora Minerva McGonagall. Kenneth Branagh mostra-se cômico com seu Gilderoy Lockhart, o famoso (e charlatão, diga-se de passagem) professor de Defesa Contra as Artes das Trevas; sua atuação é segura e o ator é naturalmente engraçado. Jason Isaacs aparece pela primeira vez na trama como Lucio Malfoy (pai de Draco Malfoy), e, com um papel curto e importantíssimo, o britânico não deixa a desejar.
Apresentando uma melhora com relação ao primeiro filme da série, “Harry Potter e a Câmara Secreta” continua com um menor número de erros em relação aos acertos, mas fica a sensação de que falta algo a mais. Chris Columbus, em sua despedida da série, faz um trabalho mais correto, mas ainda não consegue levar o mundo de Rowling com total sucesso para as telas. É um bom filme, mas, ao final, fica o gostinho amargo de que poderia ter sido bem melhor.
Por Danilo Henrique
Harry Potter e a Pedra Filosofal

Nota: 6.5
A série “Harry Potter”, baseada nos livros de J. K. Rowling, inciciou-se em 2001 sem total certeza de que continuaria. O principal motivo que poderia ser apontado era quantidade de histórias que a britânica escreveria, pois ela sempre disse que iria levar a série até o sétimo livro (e a qualidade e o sucesso das vendas dos livros sempre garantiram a extensão da série). Então, em 2001 surgiu este “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (“Harry Potter and the Sorcerer’s Stone”, 2001), que, mesmo não tendo metade da magia dos livros de Rowling, deu início a uma das maiores febres infanto-juvenis (hoje alcançando adultos que eram infanto-juvenis na época), deu um imenso agrado aos milhões de fãs que os livros já tinham e recrutou outros milhões (como eu) que ainda não conheciam a história.
Harry Potter (Daniel Radcliffe) é um garoto que sobreviveu à morte com apenas um ano, quando um maligno bruxo matou seus pais e não conseguiu levá-lo também (motivo pelo qual tem uma cicatriz em forma de raio na testa). Então, ele foi levado para a guarda dos tios, onde era constantemente maltratado. Então, ao completar 11 anos, ele recebe a revelação de que é bruxo, descobre a verdadeira causa da morte de seus pais (bem como da sua sobrevivência ao mesmo feitiço) e vai para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde aprende a usar seus grandes poderes. E, ao lado de seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson), passa por vários perigos e, finalmente, volta a encarar o mal que lhe tentou tirar a vida 10 anos antes.
“Harry Potter e a Pedra Filosofal” é, sobretudo, um filme destinado ao público mais jovem (é uma imensa crueldade falar que é um filme para criancinhas), mas acaba tendo elementos para agradar os mais velhos. Sendo a história mais bobinha e infantil da série, este filme põe na mesa o verdadeiro valor da amizade e tem certo clima de perigo e mistério que acabam prendendo a atenção dos mais crescidinhos. O clima de mistério poderia ser mais aproveitado pelo diretor Chris Columbus, que não consegue dar à narração seu toque pessoal, fazendo exatamente tudo que está no roteiro. Sua direção é altamente burocrática e impessoal, fazendo com que sua participação no longa seja apenas uma transposição do roteiro para a tela. No entanto, o grande mérito do diretor é saber tirar grandes atuações de seu elenco mirim, que funciona muito bem. Chris, que tem experiência ao trabalhar com crianças em “Esqueceram de Mim” e “Uma Babá Quase Perfeita”, acaba não levando o longa à derrocada total pela sua habilidade com atores. O roteiro seguido completamente à risca ficou a cargo de Steven Kloves, que assinou quase todos os filmes da série. Kloves soube cortar o que era desnecessário, colocar o necessário e não deixar o longo filme o menos maçante possível (mesmo que, em algumas partes, o enredo acabe se arrastando um pouco). Certamente, o roteirista mais adquado para a série.
A parte visual de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é excelente, sobretudo a direção de arte indicada ao Oscar (derrotada pelo soberbo “Moulin Rouge”). Os cenários reproduzidos na tela são exatamente o que grande maioria dos fãs imaginam lendo a obra britânica. As reproduções mas caprichadas foram, sem dúvida, do mágico Beco Diagonal e do imponente Banco Gringotes. O jogo de quadribol representado, mesmo sendo ligeiramente artificial, é muito bom e também condiz com o que os leitores esperam. A Floresta Proibida, citada como o lugar mais perigoso da escola, é traduzida com perfeição, com o aspecto sombrio e perigoso retratado no livro. Além da espetacular direção de arte, merece destaque também na parte visual o exuberante figurino, também indicado ao Oscar de 2002. Todos os atores incrivelmente bem vestidos, o que dá ao filme uma verossimilhança a mais. O único problema da parte visual do longa acaba sendo os efeitos especiais. O trasgo, monstro que mais desperta o imaginário de quem lê a obra de Rowling é esdruxulamente produzido, parecendo vindo de um obsoleto video game de terror. A representação de Lord Voldemort é superior em qualidade à do trasgo, mas fica longe de dar a sensação de medo que seu personagem exige. Os centauros da Floresta Proibida são tratados com mais cuidado que os citados anteriormente, mas ainda assim acabam pedindo “algo mais”.
O elenco de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é ponto altíssimo na produção. O número de talentos britânicos reunido é impressionante, o que facilitou muito o trabalho do diretor com a direção de atores. Maggie Smith (indicada a dois Oscar) aparece como a séria professora Minerva McGonagall, dando-lhe uma verossimilhança impressionante, e sendo a personagem mais parecida com o que se encontra nas páginas de J.K. Rownling. Alan Rickman interpreta o frio Severo Snape com enorme competência e Richard Harris dá vida a Alvo Dumbledore, o amoroso e brilhante Dumbledore. No penúltimo filme de sua vida, Harris é um Dumbledore com menos vivacidade e mais imponência. No elenco adulto, também há de se destacar a breve aparição de John Hurt como o vendedor Olivaras e de Robbie Coltrane como Rúbeo Hagrid, ambos com atuações seguras e timings corretos. No elenco mirim, Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson (Harry, Rony e Hermione, respectivamente) mostram-se ótimas escolhas para seus papéis. Os três são muitíssimo seguros (apesar de Watson exagerar um pouco em suas expressões) e dão a seus personagens grande vivacidade e dinamismo.
O longa, apesar de seus 152 minutos de duração, acaba tendo a história abordada de forma superficial em detrimento da apresentação de personagens e do mundo bruxo, o que acaba tornando-o mais desagradável para os que já leram a obra de Rowling. O caráter “episódico” contribui para que os longos 152 minutos passem mais devagar e de maneira mais arrastada, já que as cenas parecem não ter grande conexão entre si.
“Harry Potter e a Pedra Filosofal” foi uma maneira boa de se começar a milionária série, mesmo não sendo um grande filme. É, sem dúvida, o mais fraco dentre os seis filmes já lançados, mas não se pode negar que a magia introduzida por Chris Columbus é cativante para quem não acompanhava os livros e realizadora para quem acompanhava. Um bom filme para os mais novos, um bom passatempo para os mais velhos e uma boa abertura para a série.
Por Danilo Henrique
Vencedores do Oscar 2009
Este site fez um especial sobre o Oscar 2009, que ocorreu ontem, dia 22/02. Nossos palpites foram dados, e esta é a hora de ver os acertos e os erros.
Melhor Filme
Aposta do site: “Milk – A Voz da Igualdade”
Vencedor: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Melhor Direção
Aposta do site: Stephen Daldry (“O Leitor”)
Vencedor: Danny Boyle (“Quem Quer Ser um Milionário?”
Melhor Ator
Aposta do Site: Mickey Rourke (“O Lutador”)
Vencedor: Sean Penn (“Milk – A Voz da Igualdade”)
Melhor Atriz
Aposta do Site: Meryl Streep (“Dúvida”)
Vencedora: Kate Winslet (“O Leitor”)
Melhor Ator Coadjuvante
Aposta do Site: Heath Ledger (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”)
Vencedor: Heath Ledger (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”)
Melhor Atriz Coadjuvante
Aposta do Site: Viola Davis (“Dúvida”)
Vencedora: Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”)
Melhor Filme de Animação
Aposta do Site: Wall-E
Vencedor: Wall-E
Melhor Filme de Língua Estrangeira
Aposta do Site: Revanche (Áustria)
Vencedor: Departures (Japão)
Melhor Roteiro Original
Aposta do Site: Wall-E
Vencedor: Milk – A Voz da Igualdade
Melhor Roteiro Adaptado
Aposta do Site: O Curioso Caso de Benjamin Button
Vencedor: Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor Figurino
Aposta do Site: A Duquesa
Vencedor: A Duquesa
Melhor Maquiagem
Aposta do Site: O Curioso caso de Benjamin Button
Vencedor: O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Montagem
Aposta do Site: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Vencedor: Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhores Efeitos Visuais
Aposta do Site: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Vencedor: O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Fotografia
Aposta do Site: O Curioso Caso de Benjamin Button
Vencedor: Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor Som
Aposta do Site: Wall-E
Vencedor: Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor Edição de Som
Aposta do Site: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Vencedor: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Melhor Trilha Sonora
Aposta do Site: Quem Quer Ser um Milionário?
Vencedor: Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor Canção Original
Aposta do Site: Down To Earth (“Wall-E”)
Vencedora: Jai Ho (“Quem Quer Ser um Milionário?”)
Melhor Direção de Arte
Aposta do Site: O Curioso Caso de Benjamin Button
Vencedor: O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Documentário
Aposta do Site: Águas de Katrina
Vencedor: Homem Equilibrista
Acertos: 7
Erros: 14
Prévia do Oscar 2009
Como todos sabem, a 81ª cerimônia do Oscar ocorrerá neste domingo, dia 22/02/09, pleno domingo de Carnaval. Mas, antes de cair na folia, o http://cinemalevadoaserio.wordpress.com apresenta uma prévia da premiação mais importante do cinema, com pitacos dos vencedores, candidatos a zebra, etc. Bem, chega de história, vamos ao que interessa!
Melhor filme
A categoria mais esperada da premiação nos apresenta cinco concorrentes fortíssimos: “Milk – A Voz da Igualdade”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Frost/Nixon”, “O Leitor” e “Quem Quer Ser um Milionário?”. Apesar da qualidade inegável dos indicados, vejo uma disputa mais acirrada entre os dois primeiros. “Milk – A Voz da Igualdade”, estrelado por Sean Penn, conta a história do primeiro político gay assumido eleito nos EUA, e arrancou aplausos em todos os lugares onde já estreou. “O Curioso Caso de Benjamin Button”, apesar de não ter enchido muito meus olhos, é um nome fortíssimo para levar a principal estatueta. Corre por fora o ótimo “O Leitor” (na minha opinião, melhor que “O Curioso Caso…”), que teve outras quatro indicações. Na minha opinião, foram bastante injustiçados os filmes “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Wall-E”, que teriam lugar nessa lista, tranquilamente (discordo da indicação de “O Curioso Caso…” e de Frost/Nixon”). Mas meu favorito é “Milk – A Voz da Igualdade”.
Melhor Direção
O segundo prêmio mais disputado da academia é, normalmente, combinado com o primeiro: muitas vezes tivemos o diretor do melhor filme premiado com a estatueta de melhor direção. Neste ano, coincidência ou não, os cinco diretores indicados são exatamente os que dirigiram os cinco indicados a melhor filme. Temos Ron Howard (“Frost/Nixon”), Gun Von Sant (“Milk – A Voz da Liberdade”), David Fincher (“O Curioso Caso de Benjamin Button”), Danny Boyle (“Quem Quer Ser um Milionário?”) e Stephen Daldry (“O Leitor”). Mesmo com a tradição citada anteriormente, arrisco-me a não apostar em Gus Von Sant. Seu trabalho em “Milk” é genial, mas a intensidade de “O Leitor” não seria a mesma sem a direção de Stephen Daldry. Considero injusta a indicação de David Fincher, que fez um trabalho totalmente comum em “O Curioso Caso…”, inclusive prejudicando a história espetacular que tinha em mãos. Minha aposta é Stephen Daldry.
Melhor Ator
O prêmio para o melhor ator de 2009 pode ser a maior injustiça a ser cometida na 81ª edição do Oscar. Os cinco indicados são Brad Pitt (“O Curioso Caso de Benjamin Button”), Sean Penn (“Milk – A Voz da Igualdade”), Mickey Rourke (“O Lutador”), Richard Jenkins (“O Visitante”) e Frank Langella (“Frost/Nixon”). O porquê da injustiça? Tem-se falado muito no nome de Brad Pitt como o favorito a levantar a estatueta por sua atuação em “O Curioso Caso…”, mas acontece que sua atuação como protagonista da produção não teve nada de extraordinário. Extraordinário foi Mickey Rourke, que triplicou o brilho de “O Lutador” com sua atuação irretocável. Ainda corre por fora Sean Penn, com seu excelente Milk. Os membros da academia provavelmente darão o prêmio a Brad Pitt, mas eu insisto com Mickey Rourke.
Melhor Atriz
Certamente a categoria de prêmios individuais que menos deu trabalho à academia, “melhor atriz” é uma das categorias com indicações mais coesas deste Oscar (com uma ressalva, mostrada mais abaixo). As indicadas são Maryl Streep (“Dúvida), Kate Winslet (“O Leitor”), Melissa Leo (“Rio Congelado”), Anne Hathaway (“O Casamento de Rachel”) e Angelina Jolie (“A Troca”). Vamos, então, à ressalva. Na minha opinião, a atuação de Julianne Moore em “Ensaio Sobre a Cegueira” foi excelente, sendo merecedora de indicação (entraria no lugar de Melissa Leo ou de Anne Hathaway, que tiveram atuações piores que a sua). Kate Winslet foi ótima em “O Leitor” e Angelina Jolie finalmente foi reconhecida com uma indicação, deixando completamente para trás a fama de má atriz que tinha. Já Meryl Streep… É simplesmente óbvio demais dizer que Streep irá ganhar a estatueta, pois sua atuação em “Dúvida” foi memorável, sendo um dos pontos mais altos do longa (longa que teve, talvez, o elenco mais eficaz que já vi). Com toda a certeza, Meryl Streep é minha favorita.
Melhor Ator Coadjuvante
Nesta 81ª edição do Oscar, poderemos ter um fato inusitado: uma premiação póstuma. Os indicados para a categoria são Michael Shannon (“Foi Apenas um Sonho”), Josh Brolin (“Milk – A Voz da Liberdade”), Robert Downing Jr. (“Trovão Tropical”), Philip Seymour Hoffman (“Dúvida”) e Heath Ledger (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”). Os francos favoritos são Philip Seymour Hoffman e Heath Ledger (que, se ganhar, será o primeiro Oscar póstumo entrege em 81 anos). Hoffman fez o padre possivelmente pedófilo em “Dúvida”, tendo uma atuação espetacularmente intensa e tensa. Ledger foi considerado o “melhor Coringa da história dos filmes do Batman”, com uma atuação sensacional. Apesar de considerar Hoffman um candidato muito forte, aposto no Oscar póstumo para Heath Ledger.
Melhor Atriz Coadjuvante
Com uma indicação absurda e quatro muitíssimo justas, a categoria de melhor atriz coadjuvante deve ter sido bastante acirrada nos votos da academia. As indicadas são Taraji P. Henson (“O Curioso Caso de Benjamin Button”), Viola Davis (“Dúvida”), Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”), Amy Adams (“Dúvida”) e Marisa Tomei (“O Lutador”). O absurdo a que me referi anteriormente foi a indicação de Taraji P. Henson, com uma atuação nada mais que convencional em “O Curioso Caso…” (aposto que se sua atuação fosse repetida em um filme menor, nem seria cotada a ser indicada). Quanto às outras, todas foram merecedoras de indicação, sendo complicado demais fazer qualquer tipo de aposta. Mas, sem ficar em cima do muro, meu palpite é Viola Davis.
Melhor Filme de Animação
A maior barbada da do 81º Oscar, a categoria “melhor filme de animação” conta com três indicados: “Wall-E”, “Bolt – Supercão” e “Kung Fu Panda”. Na minha opinião, o maior injustiçado da categoria foi o ótimo “Horton e o Mundo dos Quem”, que merecia ser, ao menos, indicado. Quanto ao vencedor… Sem desmerecer a qualidade de “Bolt” e “Kung Fu Panda”, só um louco não daria a estatueta para “Wall-E”, sem dúvida o melhor filme de animação do ano (não só do ano, mas talvez da história). A qualidade de “Wall-E” é tão grande que, na opinião de muitos (posso ser incluído dentre esses muitos), o longa poderia ser indicado até para a principal categoria da premiação. Obviamente, meu palpite vai para Wall-E.
Melhor Filme de Lígua Estrangeira
Os indicados para a categoria são “Departures” (Japão), “Der Baader Meinhof Komplex” (Alemanha), “Valsa com Bashir” (Israel), “Entre os Muros da Escola” (França) e “Revanche” (Áustria). Confesso que não tive a oportunidade de assistir a nenhum dos cinco, mas, pelo que ouvi e li, minha aposta é em Revanche.
Melhor Roteiro Original
Mais uma categoria com indicações boas e coesas, “melhor roteiro original” tem cinco ótimos candidatos, mas dois grandes destaques. Os indicados são “Rio Congelado”, “Simplesmente Feliz”, “Na Mira do Chefe”, “Milk – A Voz da Igualdade” e “Wall-E”. Apesar dos três primeiros serem bons filmes com roteiros muito bem escritos, é inegável que a estatueta fique entre “Milk” e “Wall-E”. O primeiro é meu favorito para levar o prêmio de melhor filme, mas teria sido muitíssimo ameaçado se “Wall-E” estivesse concorrendo na mesma categoria (e obviamente ganhará o prêmio de melhor animação). Parece-me que o roteiro de “Milk” era mais “fácil” de ser escrito, por tratar-se de uma história real, o que, claro, não acontece em “Wall-E”. Pela genialidade e inventividade, meu favorito é Wall-E.
Melhor Roteiro Adaptado
Curiosamente, quatro dos cinco filmes indicados na categoria “melhor roteiro adaptado” foram também indicados na categoria de “melhor filme” deste Oscar 2009. Os indicados são “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Dúvida”, “Frost/Nixon”, “Quem Quer Ser um Milionário?” e “O Leitor”. O grande azarão da disputa é “Dúvida”, que, apesar da belíssima história, teve como maior destaque seu talentosíssimo elenco. Os outros quatro, até por terem sido indicados a melhor filme, carregam uma carga grande de importância. Reconhecendo a qualidade dos outros indicados, meu favorito é O Curioso Caso de Benjamin Button.
Melhor Figurino
Dentre as categorias técnicas, “melhor figurino” é uma das que eu considero de mais fácil escolha para esta premiação. Os indicados são “Foi Apenas um Sonho”, “Milk – A Voz da Igualdade”, “A Duquesa”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Austrália”. Todos os indicados têm belíssimos figurinos, embora “Milk” seja o de menos destaque. “Austrália” e “O Curioso Caso de Benjamin Button” têm figurinos excelentes e realistas, mas não conseguem superar a exuberância de “A Duquesa”. Com o figurino como ponto mais alto, meu favorito para a categoria é A Duquesa.
Melhor Maquiagem
A categoria “melhor maquiagem” poderia muito bem dividir a estatueta entre seus três excelentes indicados: “Hellboy 2 – O Exército Dourado”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Os três filmes têm visual exuberante, verdadeiros colírios para os olhos do espectador, e a maquiagem é um dos fatores responsáveis por tamanha beleza. Apesar do equilíbrio entre os três, considero “Batman - O Caveleiro das Trevas” um degrau abaixo dos outros. Entre os outros, como não posso ficar em cima do muro, fico com O Curioso Caso de Benjamin Button.
Melhor Montagem
Na categoria “Melhor Montagem”, temos os seguintes indicados: “Quem Quer Ser um Milionário?”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “Frost/Nixon” e “Milk – A Voz da Igualdade”. Apesar de reconhecer o equilíbrio entre os cinco e a justiça das indicações, aposto em Batman – O Cavaleiro das Trevas.
Melhores Efeitos Visuais
Mesmo sendo apenas três indicados para esta categoria, considero que a academia conseguiu cometer um equívoco imenso com uma das indicações. Os indicados foram “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Homem de Ferro”. O equívoco a que me referi é a indicação de “O Curioso Caso…”, cujos efeitos especiais não foram bons a ponto de merecer uma indicação. Meu favorito é Batman – O Cavaleiro das Trevas, mesmo que “Homem de Ferro” tenha efeitos exuberantes.
Melhor Fotografia
Em uma das categorias com disputa mais acirrada desta 81ª edição do Oscar, temos os seguintes indicados: “O Leitor”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “A Troca” e “Quem Quer Ser um Milionário?”. Apesar de todos terem plenas condições de levar a estatueta, a fotografia emotiva de “O Curioso Caso…”, a sombria de “Batman…” e a tensa de “A Troca” são as mais cotadas, na minha opinião. Mas meu palpite vai para O Curioso Caso de Benjamin Button.
Melhor Som
O som é parte fundamental dos filmes, sejam eles de ação ou de romance, de terror ou animação. E os cinco indicados na categoria capricharam muito neste quesito. Os indicados foram “O Procurado”, “Wall-E”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Quem Quer Ser um Milionário?”. O espaço que separa as cinco produções é mínimo, pois o equilíbrio é bastante visível, o que, com certeza, deu um imenso trabalho aos membros da academia. Mesmo querendo apostar nos cinco, meu favorito é Wall-E.
Melhor Edição de Som
A semelhança desta categoria com a anterior é evidente, tanto que, dos cinco indicados, elas têm quatro em comum. “Homem de Ferro”, “Wall-E”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Procurado” e “Quem Quer Ser um Milionário?” foram os indicados. Assim como a categoria anterior, há um grande equilíbrio entre os indicados. E assim como na anterior, os melhores são “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Wall-E”. Mas, desta vez, minha aposta vai para Batman – O Cavaleiro das Trevas, com sua edição completamente perfeita.
Melhor Trilha Sonora
Equilíbrio é palavra-chave também na premiação para melhor trilha sonora deste 81º Oscar. Os indicados são “Um Ato de Liberdade”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Wall-E”, “Milk – A Voz da Liberdade” e “Quem Quer Ser um Milionário?”. Ainda assim, os mais fortes concorrentes são “Wall-E” e “Quem Quer Ser um Milionário?”. E eu fico com Quem Quer Ser um Milionário?.
Melhor Canção Original
A lista das três canções indicadas nesta categoria mostra claramente quais foram as melhores trilhas sonoras de 2009. As indicadas são “O Saya” (“Quem Quer Ser um Milionário?), “Jai Ho” (“Quem Quer Ser um Milionário?”) e “Down To Earth” (“Wall-E”). Inegavelmente, as três canções são belíssimas, mas “Jai Ho” fica um degrau abaixo das outras duas. Tendo que escolher entre as duas restantes, fico com a mais emocionante, Down To Earth, de “Wall-E”.
Melhor Direção de Arte
Os indicados para direção de arte são “Foi Apenas um Sonho”, “A Duquesa”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “A Troca”. Mais uma boa disputa entre “O Curioso Caso…” e “Batman…”. Desta vez, meu favorito é O Curioso Caso de Benjamin Button.
Melhor Documentário
Dentre os documentários indicados ao Oscar 2009, há de se ressaltar um curioso fato: a grande maioria tem grandes doses de drama e emotividade. os indicados são “The Garden”, “The Betrayal – Nerakhoon”, “Homem Equilibrista”, “As Águas de Katrina” e “Encounters at the End of the World”. Não tive a oportunidade de assistir aos cinco, mas os dois últimos me chamaram mais a atenção. E, entre os dois, fico com As Águas de Katrina.
Então, são esses os meus pitacos para as categorias mais importantes da premiação. Espero que tenham gostado. Aproveitem para participar, dêem suas opiniões também! E bom Oscar para todos!
Por Danilo Henrique
Wall·E

Nota: 10
Vez por outra, somos surpreendidos pelo lançamento de filmes notáveis, que nunca cairão no esquecimento. Aqueles filmes que, com uma idéia simples e bem desenvolvida, toca nosso coração e nossa mente a ponto de fazer-nos pensar durante horas, até dias, sobre o que vimos na tela. Em 2008, alguns filmes tiveram esse poder, como é o caso de “O Nevoeiro”, “Sangue Negro” e este “Wall·E” (idem, 2008). Dentre os citados, o único que não surpreende é “Sangue Negro”, pois “O Nevoeiro” é um filme de terror que aborda intensamente a psique humana, e “Wall·E” é a animação mais séria e brilhante que já vi passar pelas telas, podendo ser considerada um verdadeiro marco, já que seu público-alvo é, mais do que jamais foi visto, adulto. Não se pode dizer que o filme foi feito exclusivamente para adultos, mas a verdadeira mensagem passada é de mais fácil compreensão para os mais crescidos.
No ano 2700, a Terra não é mais habitada por humanos, que passaram a viver na nave Axiom. A Terra passou a ser um verdadeito depósito de lixo, e os homens, na esperança de ainda voltarem a viver no planeta, contratarem uma empresa limpar o mundo. Utilizando robôs, a empresa não obteve êxito, pois as máquinas, diante de uma tarefa praticamente impossível, começaram a pifar. A única que resistiu a tal trabalho foi Wall-E, cuja árdua rotina era continuar o trabalho deixado para trás pelas outras máquinas, compactando o lixo existente na Terra e formando torres imensas, que mais parecem prédios. Mas sua rotina é totalmente mudada quando uma nave pousa na Terra, e dela sai EVA, uma moderna robô projetada para encontrar qualquer sinal de vida no planeta, e levar para sua nave. No início assustado com os “poderes” de Eva, Wall-E logo se apaixona pela robô, e os dois passam a viver uma complicada relação, que é bastante atrapalhada quando Eva é levada de volta à nave de onde veio.
Apesar de, aparentemente, ser uma história de amor, o foco de ”Wall·E” não é exatamente esse, mas sim a mensagem de preservação da Terra. Mensagem cujo entendimento não é imposto para os espectadores, mas sim passado de forma simples e bastante inteligível, até para crianças. As cenas de Wall-E sozinho na Terra, cercado por pilhas e mais pilhas de lixo, com total ausência de vida (não total, mas isso eu deixo para você ver no filme), no mínimo, fazem as pessoas mais entendidas (leia-se mais velhas) refletirem bastante, e faz as menos entendidas desejarem que tal fato nunca aconteça com nosso planeta. A beleza visual do longa chega a ser incrível, com uma riqueza de detalhes que só ajuda o tom melancólico e sério do filme a ser potencializado. Às vezes, cheguei a visualizar o planeta Terra da maneira como foi retratada no filme, e vi que, se o homem continuar usando sua sapiência para transformar tudo em ciência, aquele é o futuro no nosso planeta azul, que está ficando cada dia com menos tons de verde e mais tons de cinza.
Além da mensagem principal que nos é passada, também devemos ressaltar a própria história do robozinho e do romance entre ele e EVA. Antes da nave aterrisar na Terra e mudar totalmente a rotina de Wall-E, vemos o robozinho em seu incansável trabalho e em seu hobby favorito: colecionar coisas que julga interessantes. Na lista de coisas que chamam a atenção de Wall-E, tem uma caixinha de anel (ele chega a tirar o anel de dentro para brincar com a caixinha), uma raquete de ping-pong com uma bolinha pendurada (o robô, claro, não faz a mínima idéia de como se brinca) um cubo mágico (que só é solucionado por EVA, em questão de segundos), e um extintor de incêndio. A curiosidade de Wall-E faz com que essas cenas em que ele encontra os objetos durante seu trabalho sejam divertidíssimas, dando ao começo do filme um brilhantismo ímpar, fazendo com que a atenção do espectador seja mantida ao longo de todos os 97 minutos de projeção. Quando EVA chega na Terra, em missão de sua nave, Wall-E ganha, a princípio, uma amiga que nunca teve, mas que, com o passar do tempo, passa a não ser exatamente apenas uma amiga. A relação de Wall-E e EVA é muito bonita, o que é reforçado pelo fato de ambos só falarem um o nome do outro. E é este um dos grandes diferenciais do longa, o fato de que os principais personagens não falam, relacionam-se apenas com gestos. Grande parte do filme é passada sem falas, apenas com os sons da movimentação dos robôs e, claro, eles falando o nome um do outro. Quando o cenário muda da inabitada Terra para a movimentada nave Axiom, a qualidade do filme dá uma leve caída, mas mantém-se em um nível poucas vezes visto.
A qualidade audiovisual de ”Wall·E” é completamente inegável e indiscutível. A cena mostrada na foto acima mostra o momento em que o casal de robôs, aproveitando a ausência da gravidade, faz uma espécie de dança no espaço. Só por ela, já dá para ter uma idéia do quão bonito e exuberante o visual do filme é visualmente. Com detalhes e clareza nunca vistos, eu me arriscaria a dizer que ”Wall·E” é o filme com melhor trabalho visual dentre as animações já criadas. O áudio é tão perfeito quanto o visual. Diante da ausência de diálogo entre os robôs, uma saída deveria ser encontrada, para que o filme não ficasse em silêncio total. Eis que surgem os sons de cada movimento de cada robô, o que soa perfeitamente realista e propício. É tão propício que os mais desatentos não percebem que não há diálogo, visto que o áudio está constantemente ativo. Se essa sacada foi acertadíssima, o que dizer das músicas? “Perfeitas” seria o adjetivo ideal, mas, como já foi usado algumas outras vezes nesta crítica, excelente é cabível. Músicas belíssimas, utilizadas nas horas certas e com os personagens certos. Tudo muito bem encaixado, não deixando margem para críticas. Os dubladores da versão em inglês (não tive a oportunidade de assistir em português) são muito bem escolhidos, principalmente o do capitão (Jeff Garlin) e de Wall-E (Ben Burtt; os sons emitidos pelo robô não seriam tão cativantes em outra voz). Por fim, temos o roteiro, simples, direto e sem furos, que dá origem a uma história magnífica, de qualidade praticamente inigualável.
Falar que ”Wall·E” é a melhor animação de 2008 é redundante e bastante óbvio, apesar do lançamento de outras boas animações no ano, como “Bolt”, “Kung Fu Panda” e “Horton e o Mundo dos Quem” (um dos maiores injustiçados nas indicações ao Oscar). Já falar que ”Wall·E” é a melhor animação já lançada nos tempos das animações em 3-D não é nenhum exagero, mas sim a retratação da mais pura realidade. Indicado ao Oscar em 6 categorias (Filme de Animação, Roteiro Original, Som, Edição de Som, Trilha Sonora e Canção Original), ”Wall·E” é um filme perfeito, considerado por mim favorito a levar, pelo menos, 3 estatuetas [Filme de Animação (a maior barbada da premiação), Roteiro Original e Trilha Sonora]. ”Wall·E” é sério candidato a ser um daqueles filmes imortais da Disney, que será lembrado para sempre e, conseqüentemente, virará um clássico dentro de alguns anos.
Por Danilo Henrique
Ela Dança, Eu Danço

Nota: 6.0
O lançamento de filmes musicais feitos para público adolescente têm sido cada vez mais freqüentes em Hollywood. Juntamente com a febre “High School Musical”, que chegou ao terceiro capítulo em 2008, veio este legalzinho “Ela Dança, Eu Danço” (Step Up, 2006), cujo título em português é simplesmente terrível (fazendo alusão a uma música de sucesso da época no Brasil), mas cuja história, apesar dos inúmeros clichês, agrada bastante. Mais um daqueles filmes que têm tudo para dar errado, “Ela Dança, Eu Danço” não chega a dar totalmente certo, mas tem certa capacidade de envolver e emocionar o espectador.
A história é bem simples, até bobinha. Tyler Gage (Channing Tatum), um adolescente encrenqueiro, que anda pelas casas noturnas e ruas de Nova York com seus inseparáveis amigos Mac (Demaine Radcliff) e Skinny Carter (De’Shawn Washington) arrumando confusão, depreda e invade uma escola de artes, e é condenado a prestar 200 horas de serviço comunitário no local, como faxineiro. Lá, no entanto, ele conhece uma bailarina que está montando sua coreografia de fim de curso, Nora Clark (Jenna Dewan). Nora, cujo parceiro está impossibilitado de ensaiar por ter lesionado a perna, procura desesperadamente um parceiro para continuar os ensaios até que sua dupla volte, mas não consegue encontrar ninguém à altura nas outras turmas da escola. É aí que Tyler oferece ajuda e Nora, após relutar, obtém autorização da Diretora Gordon (Rachel Griffiths) para continuar seus ensaios com o faxineiro. Tyler, mesmo sendo acostumado somente às danças de rua, acaba se envolvendo com a dança, e supera todos os seus limites para ajudar Nora, enquanto, através da dança, nasce um novo amor.
Perceberam como tudo é bastante óbvio o repleto de clichês? Tudo o que foi escrito acima pode ser visto em vários outros filmes, tanto de qualidade superior quanto de inferior. O que diferencia “Ela Dança, Eu Danço” dos outr0s é que a diretora estreante Anne Fletcher não tem vergonha dos clichês e da obviedade do seu filme, o que lhe dá vários pontos a seu favor. Ela sabe usar extremamente bem o roteiro bobinho escrito a quatro mãos por Duane Adler e Melissa Rosenberg, e não deixa os clichês tão escancarados para o público. Só que impossível não se irritar com a obviedade constante da película, já que a cada momento você visualiza exatamente como é a cena seguinte. Até as “reviravoltas” (que não têm nada de reviravoltas, a não ser na cabeça da diretora e dos roteiristas) são extremamente previsíveis e bobas, não trazendo o mínimo de surpresa para o espectador, mas também não chegando a incomodar. Apesar da presença de tanta obviedade, o filme chega a emocionar em alguns momentos, e o ponto onde ameaça decolar é quando o amor de Tyler e Nora começa a ser explorado. No entanto, o ponto alto do filme são os ensaios da dupla, que se mostra bastante desenvolta para dançar (muito bem, diga-se de passagem) diante das câmeras. Mesmo parecendo um absurdo o desenvolvimento de Tyler de uma hora para outra, as cenas de dança são ótimas, principalmente a da apresentação final que, apesar das “reviravoltas” tentarem, sem sucesso algum, esconder, é feita mesmo entre Nora e Tyler. Outro ponto que merece destaque é o fato de que a diretora não coloca os protagonistas no mesmo plano, dando muito mais destaque a Tyler. São mostradas inúmeras cenas da vida cotidiana do rapaz, enquanto que as cenas com Nora, isoladamente, são bastante resumidas, e sempre mostrando a relação instável que a garota tem com a mãe. Outra personagem que, na minha opinião, poderia ter mais destaque é a Diretora Gordon, interpretada muitíssimo bem pela australiana Rachel Griffiths (sobre quem falarei mais abaixo). Sua participação na trama é boa, mas, em virtude da importância de sua personagem, poderia ter sido mais explorada. Há de se destacar também a trilha sonora do longa. As músicas estão longe de ser a chatice que ouvimos na maioria dos filmes relacionados a música e dança. As músicas tocadas representam perfeitamente as situações expostas na tela, e as que embalam as coreografias são extremamente adequadas e propícias para o tipo de dança apresentado. Acerto imenso so longa, que eu atribuo ao fato de a diretora Anne Fletcher ser uma experiente e renomada coreógrafa norte-americana. No entanto, o grande erro do filme é o de, por vezes, usar mecanismos baratos e desnecessariamente sentimentalistas para tentar emocionar o espectador. O ponto onde isso ocorre descaradamente fica próximo do final, quando há um assassinato totalmente desnecessário, sem o qual a trama não perderia em nada. É uma pena que alguns diretores insistam em lançar mão de tais elementos, que têm cada vez menos espaço no cinema moderno, em seus filmes ainda nos dias de hoje.
O elenco de “Ela Dança, Eu Danço” é muito bem escolhido, com destaque para o protagonista Channing Tatum e para Rachel Griffiths. O protagonista, cujo personagem, Tyler, é muito mais explorado que o da outra protagonista, Jenna Dewan, tem muito carisma e personalidade, o que o credencia facilmente ao papel que lhe foi dado. Inclusive, na minha opinião, esse carisma do ator foi um dos fatores motivadores para Tyler aparecer muito mais que Nora. Apesar de tanto carisma, sua atuação não chega a ser espetacular, nem a melhor do filme. O posto de melhor do filme fica com Rachel Griffiths, que acrescenta uma grande dose de brilhantismo à sua personagem, a Diretora Gordon. Caso a diretora fosse interpretada por uma atriz não tão talentosa quanto Rachel, com certeza sua importância não seria tão evidenciada, e ela se tornaria apenas mais uma personagem secundária. Janna Dewan interpreta a protagonista feminina da trama, e, mesmo não convencendo, tem uma atuação ok. Os outros coadjuvantes não têm grande destaque, ficando nivelados em um nível regular.
“Ela Dança, Eu Danço” tem todos os elementos possíveis para não ser levado a sério, e para cair no lugar-comum dos filmes adolescentes. Mas é a própria consciência de sua diretora que acaba salvando o filme, que, mesmo estando longe de ser uma obra-prima, acaba agradando e divertindo. Utilizando verdadeiros atores que sabem dançar, vale a pena passar os 103 minutos do filme aguardando pelas cenas de dança, que terminam em uma maravilhosa apresentação final. “Ela Dança, Eu Danço” consegue passar seu recado, mesmo não sendo com a melhor das premissas.
Por Danilo Henrique
Regras do Brooklyn

Nota: 8.5
Filmes que possuem como tema central a amizade são, normalmente, fadados a ficarem no lugar-comum do sentimentalismo extremo, desmedido e exagerado, como acontece no fraco “Appaloosa – Uma Cidade sem Lei”. Quando querem juntar amizade com máfia, um tema bastante complicado de se explorar, não tem como esperar um resultado bom. E é com grande surpresa que acompanhei os 96 minutos de projeção de “Regras do Brooklyn” (Brooklyn Rules, 2007), que é um ótimo filme, tanto de máfia quanto de amizade (mas devo confessar que o segundo tema supera bastante o primeiro em questão de qualidade de abordagem), que em nenhum momento é apelativo nem incoerente.
Michael (Freddie Prinze Jr.), Carmine (Scott Caan) e Bobby (Jerry Ferrara) são amigos de infância e, desde então, moram no distrito do Brooklyn, em Nova York. Os três viveram juntos até chegarem à idade adulta na década de 80, quando a máfia tomou conta inteiramente do distrito, dando à vida deles um rumo completamente diferente do que imaginavam. Se antes eles tinham de enfrentar batalhas diárias como relacionamentos e responsabilidades profissionais, agora eles têm de estar atentos à influência da máfia em suas vidas, que trouxe constante perigo e aflição ao seu dia-a-dia. Mesmo com um dos amigos, Carmine, ligado diretamente ao grupo mafioso chefiado por Caesar Manganaro (Alec Baldwin), a amizade dos três permanece praticamente intacta, apesar de enfrentarem constantemente problemas decorrentes da máfia no bairro.
Apesar de tratar de assuntos bastante distintos, “Regras do Brooklyn” apresenta um roteiro praticamente sem falhas, que, em momento algum, trata a amizade de Michael, Carmine e Bobby como algo bobo e exageradamente sentimental. Muito pelo contrário, “Regras do Brooklyn” é um filme extremamente sério. Não espere amiguinhos que vivem saindo para bares, enchem a cara, transam com todas as mulheres que conseguem, têm problemas com a família e vêem nos amigos as únicas pessoas que lhes entendem. Este filme é diferente dos outros que vemos por aí. O grande diferencial está na construção dos personagens, muito bem feita pelo roteirista Terence Winter (que escreveu 23 episódios da ótima série “The Sopranos”, da HBO). Mesmo apresentando alguns clichês (como “o amigo zoado”, “o amigo certinho” e “o amigo fora-da-lei”, o roteiro de Winter acerta em cheio na abordagem que dá ao trio de amigos, e também aos personagens coadjuvantes, como o mafioso Caesar e a complicada Ellen (Mena Suvari), colega de faculdade de Michael, que acaba se tornando um pouco mais que isso. Para transpor o roteiro para as telas, foi escolhido Michael Corrente, cujo trabalho eu não conhecia, e que estava sem dirigir um filme desde “Um Tiro na Glória”, em 2000. Corrente tem uma direção bastante segura, e é co-responsável pela eficácia da construção dos personagens de Winter, com uma ótima direção de roteiro. O grande problema de “Regras do Brooklyn” é que, por ter um diretor não muito acostumado a fazer grandes filmes, acaba não tendo uma pretensão de ser um filme grandioso, esbarrando em um excesso de cautela. Poderíamos ter uma abordagem mais aprofundada das questões da máfia, o que nos daria uma explicação melhor acerca do que acontece na tela, mas o que é visto é uma abordagem muito superficial, o que acaba criando algumas dúvidas e incertezas. Corrente preferiu ater-se ao tema principal, a amizade, e não explorar com a devida atenção a interessante máfia do distrito. Mas Corrente e Winter acertam em cheio nas cenas mais tristes do longa, mostrando que, desdo o início, a verdadeira intenção do filme era abordar a amizade do trio. Com leveza e naturalidade, mesmo em face dos obstáculos impostas pela vida, Michael, Carmine e Bobby mantêm-se fiéis uns aos outros, o que pode ser visto, principalmente, na cena final, que leva qualquer espectador às lágrimas facilmente. Interessante também é o fato que a história é narrada pelo personagem de Freddie Prinze Jr., mesmo que ele não esteja onipresente, o que torna sua ligação com o público mais estreita que a dos outros personagens. Além de tudo, o filme trata de vingança, mas não uma vingança qualquer, mas uma vingança “justificada”, que só quem já perdeu uma pessoa importante sabe como é.
Se diretor e roteirista acertaram a mão em praticamente tudo, o que dizer do elenco de “Regras do Brooklyn”? Todos têm atuações muitíssimo seguras, o que não deixa de ser mérito do diretor Michael Corrente, mas eu atribuiria, em maior parte, ao próprio talento dos atores. Freddie Prinze Jr. interpreta o mais carismático dos três amigos, Michael. O ator mostra total segurança ao colocar nas telas o amigo mais certinho, o universitário trabalhador Michael, que luta com todas as suas forças para tirar Carmine do mundo da máfia. Interpretado por Scott Caan, Carmine é o amigo mais politicamente incorreto, um verdadeiro aprendiz de mafioso. Caan cumpre seu papel com muita competência, mostrando que sabe oscilar entre o mafioso durão e o amigo que faz de tudo para ver os outros bem. O outro amigo, Bobby, é interpretado por Jerry Ferrara, que, apesar de não ter má atuação, exagera um pouco em tornar seu personagem o mais “bobinho e imaturo” do trio. Para completar a lista, temos o sempre bom ator Alec Baldwin, como o mafioso Caesar Manganaro. A complexidade de seu personagem, que oscila entre o lado bom de ajudar os amigos de Carmine e, obviamente, o lado ruim de ser mafioso, só poderia ser interpretada por um ator do calibre de Baldwin, que segura as pontas com perfeição, brindando a excelente construção do roteirista com a melhor atuação do filme (mesmo que seu personagem não tenha o mesmo destaque que o trio de amigos).
“Regras do Brooklyn” é aquele tipo de filme que tinha tudo para dar completamente errado, com sua temática complicada, seu diretor acostumado a fazer trabalhos de pouca relevância e a presença de apenas um grande nome no elenco. Contudo, o que temos diante de nossos olhos é um filme bastante competente, que esbarra na falta de pretensão da equipe de produção, principalmente da direção. Com um final tocante, “Regras do Brooklyn” agrada a todos, mesmo àqueles que não gostam de filmes de amizade e de máfia. Uma verdadeira ode à verdadeira amizade!
Por Danilo Henrique
O Pesadelo 2

Nota: 4.5
Continuações de filmes de terror são, quase sempre, desnecessárias e, em praticamente todos os casos, nocivas ao filme original, já que a qualidade sempre decai um pouco (claro, há raras exceções, como os 3 primeiros filmes da franquia “Jogos Mortais”). O que dizer então das continuações que nem sequer passam pelos cinemas, indo diretamente para as empoeiradas prateleiras de locadoras? E mais, além de tudo isso, o que esperar da continuação de um filme que já foi bastante ruim? “O Pesadelo 2″ (Boogeyman 2, 2008 ) derruba algumas dessas espectativas, como a de que seria pior que o primeiro. Não se trata de um filme bom, até porque “O Pesadelo” não serve de parâmetro para nada, mas conseguiram cumprir bem a complicada missão de criar uma nova história para o temido Bicho-Papão.
Laura e Henry Porter são irmãos que, hoje em dia, dividem um grande trauma do passado. No aniversário de 8 anos de Laura (Danielle Savre), um assassino (ou, segundo os irmãos, o Bicho-Papão) invadiu a casa da família e matou o pai e a mãe na frente das crianças. Passados dez anos, ambos sofrem problemas psicológicos decorrentes do trauma, que resultou em um medo extremo de Bicho-Papão (que, no filme, é denominado incorretamente de “bogifobia”, que, na verdade, é medo de duendes e espíritos), mas apenas Henry (Matt Cohen) pode-se considerar curado, em virtude do tratamento que fez na clínica psiquiátrica comandada pelo Dr. Mitchell Allen (Tobin Bell). Seguindo o conselho do irmão, Laura vai para a mesma clínica e, sob a supervisão do Dr. Allen, passa a ser tratada pela psiquiatra Jessica Ryan (Renée O’Connor). Junto com Laura, estão vários outros jovens, com suas mais variadas fobias (fobias de germes, de lugares públicos, de escuro, de engordar etc), que são submetidos a um tratamento em grupo. No entanto, o que Laura encontra não é uma solução para seu problema, e sim um verdadeiro pesadelo quando os pacientes começam a morrer vítimas de seus próprios medos, o que leva nossa protagonista a crer que seu temido Bicho-Papão está por tras disso tudo.
Como dito anteriormente, “O Pesadelo 2″ é um filme que trata de um tema complicado e, pior, é a continuação de um filme de má qualidade. Então, por que insistir na idéia de colocar o Bicho-Papão não como um conto infantil, mas como um ser aparentemente aterrorizante? Simples: salvar a história muito mal contada pelo primeiro. “O Pesadelo” foi um dos piores filmes lançados em 2006, com um dos roteiros mais fajutos e sem nexo que já vi, com um enredo muito mais complexo que os pobres roteirista e diretor conseguiam transpor para as telas. Então, “O Pesadelo 2″ apresenta um enredo muito menos pretensioso, mais simples e sem grandes complicações e reviravoltas. Apesar das tomadas de câmera sempre bastante óbvias e sustos baratos, o diretor estreante Jeff Betancourt consegue, pelo menos, comandar bem seu elenco que, apesar de ser muito fraco (com exceção do grande chamativo do filme, Tobin Bell), não tem atuções realmente ruins (mais detalhes no próximo parágrafo). O único lugar onde a trama parece apresentar alguma pretensão, ela erra feio, que é nas duas viradas bastante óbvias e imbecis (principalmente a primeira). Além disso, parece que a trama pega carona nos filmes de tortura atuais, como “Jogos Mortais”. Apesar de, a princípio, ser um longa cujo personagem principal é um monstro, vemos várias cenas de tortura obviamente inspiradas na franquia que consagrou Tobin Bell como um dos maiores ícones do terror da atualidade. Encarar os medos para tentarem permacer vivos é uma das forças-motrizes da obra de Jigsaw em “Jogos Mortais”, o que acaba sendo explorado a todo momento. A cena em que mais podemos ver é uma em que uma garota é obrigada a se cortar para retirar larvas de inseto que penetram em sua pele, o que daria um belo jogo para Jigsaw. Mas as semelhanças não param por aí. Em uma das muitas mortes, temos Tobin Bell falando em um gravador com sua conhecida voz absurdamente grave, praticamente descrevendo a morte que está acontecendo, outra particularidade de Jigsaw. Tudo bem, o roteiro não é nem um pouco inspirado nem inovador, mas acaba divertindo bastante com mortes carregadas de gore e sangue. A trilha sonora, mesmo não sendo muito bem utilizada, é ok, contribuindo fundamentalmente para o andamento do filme. As cenas das mortes são muito bem feitas, principalmente aquela em que uma garota é preenchida com uma coisa da qual ela tem bastante medo. A fotografia é regular, por vezes muito escura, mas não chega a comprometer muito.
Bem, falemos do elenco. Claro que muitas pessoas, ao verem o nome de Tobin Bell na capa, nem pensam duas vezes e alugam o DVD na mesma hora. É uma pena que essas pessoas terão a mesma decepção que eu tive, já que seu personagem, o Dr. Allen, aparece pouquíssimo no filme, resumindo-se à seqüência final e a algumas cenas de tratamento dos pacientes. Mesmo assim, Tobin ainda consegue ser o ponto alto do longa, com uma atuação extremamente segura, mesmo não tendo o destaque que teve nos quatro últimos “Jogos Mortais”. O restante do elenco, como dito acima, é fraco e desconhecido, mas o diretor Jeff Betancourt consegue extrair o máximo de seus atores, obtendo performances razoáveis. Até a protagonista Danielle Savre, que tinha tudo pra ser mais uma adolescente burrinha de filmes de terror, tem boa atuação, conseguindo, por vezes, transpassar as emoções de sua sofrida (e mal compreendida) personagem. O restante do elenco tem atuações abaixo dos dois citados, apesar de não serem ruins, como o irmão de Laura, Matt Cohen, e a psiquiatra Jessica Ryan, interpretada por Renée O’Conner.
“O Pesadelo 2″ é daqueles filmes que têm tudo pra dar errado, mas que, no final, acaba apresentando um resultado pelo menos aceitável. Tobin Bell é o principal atrativo (inclusive tendo seu destaque no trailer) e quase não aparece, o enredo é de fácil entendimento e muito pouco criativo e a direção não é a mais segura que já vi. Mas, sinceramente, eu me diverti bastante. Mas eu suplico aos produtores: por favor, façam o favor de não lançarem o terceiro filme, senão nem mesmo as crianças vão temer o pavoroso Bicho-Papão.
Por Danilo Henrique
Madagascar 2

Nota: 0.75
O final de 2008 foi marcado por grandes estréias no cinema. Estrearam nas telonas por aqui filmes como “Crepúsculo”, “Marley & Eu” e “Coração de Tinta”, mas nenhum desses foi esperado com mais ansiedade que “Madagascar 2″ (Madagascar: Escape 2 Africa, 2008) , animação que dá seqüência a um dos melhores filmes do gênero já lançados. Mas o que se vê é um filme extremamente decepcionante, representando um decréscimo inacreditável de qualidade em relação ao primeiro. Aliás, não é só muito pior que o primeiro, mas um dos piores (talvez o pior) filmes de animação já lançado, frustrando todas as expectativas em torno dele.
Alex, Melman, Gloria, Marty, o rei Julien, os pingüins e os chimpanzés estão longe de seu cenário habitual, no distante litoral da ilha de Madagascar, na África. Tentando volta para Nova York com um velho avião de guerra (bem velho mesmo) consertado pelos pingüins que, obviamente, não resiste à viagem, levando-os mais para dentro da floresta. Isso faz com que os animais do zoológico de Nova York, enquanto esperam alguma solução para que consigam voltar para sua cidade, têm de conviver com outros animais de espécies semelhantes às deles, só que bem mais adaptados à vida selvagem. E é com esse convívio que Alex, o leão, encontra a família da qual se separou quando ainda filhotinho, e passa por várias situações para provarem que ele é (ou não) digno de fazer parte do grupo de leões do local.
“Madagascar 2″ é um daqueles filmes que só são feitos para aproveitar o sucesso do primeiro, sem ter nem ao menos uma história decente pra se colocar na tela. História essa que é construída através de uma colcha de retalhos de coisas que já vimos em muitos outros filmes de animação, não apresentando nenhuma novidade (o que já contraria bastante o que foi feito no primeiro filme, cujo enredo era absolutamente criativo). Apesar de ter pegado um pouquinho de vários filmes (como “Os Sem Floresta”, explorando o tema de estarem fora do local onde normalmente vivem), chega a ser vexatória e incômoda a imensa semelhança que o filme tem com “O Rei Leão”. Impossível não se lembrar de Simba vendo Alex, de Mufasa (pai de Simba) vendo Zuba, de Sarabi (mãe de Simba) vendo a mãe de Alex e, principalmente, de Scar vendo Makunga. Os trejeitos dos personagens, incluindo personalidade, são iguais, o que é revoltante se tratando de uma grande produção como essa. Mas, sem dúvida, é mais fácil copiar uma idéia do que criá-la, certo? E parece que o roteirista Etan Cohen (por favor, não confundir com Ethan Cohen que, junto com seu irmão, já ganhou até Oscar de melhor diretor) não estava realmente preocupado com seu roteiro, já que tinha certeza de que o filme faria sucesso. O que vemos na tela é uma exposição de piadinhas imbecis e personagens tentando de maneira totalmente forçada serem engraçados (o que não é permitido pelo péssimo roteiro), causando uma sensação de total desconforto ao espectador. Etan Cohen deu uma verdadeira aula de como se acaba com uma franquia de sucesso, que, se este segundo filme não fosse tão ruim, poderia até ser continuada (coisa com a qual não concordo, mas que virou uma verdadeira moda em Hollywood). Além de todos esses erros, o filme ainda comete mais um, que é o de não conter elementos que ensinem valores às várias crianças que o assistem. Pior, algumas cenas chegam ao absurdo ao usarem violência contra uma velhinha (sim, isso mesmo, uma velhinha!), o que, pelo visto, foi considerado muito engraçado pelo senhor Etan Cohen, já que isso é repetido mais de uma vez. Para completar o pacotão de erros, um dos personagens mais amados pelas crianças, o lêmure Mork, aparece muito pouco, e é ele o maior responsável pelos poucos risos que dei assistindo ao filme.
Bem, como um filme nem sempre é feito só de erros, vamos aos poucos acertos de “Madagascar 2″. Se a história não foi nem um pouco caprichada, o mesmo não se pode falar da parte visual. A computação gráfica utilizada na película é de primeiríssima qualidade, com uma beleza exuberante e um detalhismo impressionante. Nesse quesito, não são cometidos erros, sendo o grande ponto forte do filme. “Madagascar 2″ apresenta uma trilha sonora correta, praticamente copiada do primeiro filme. Como tudo em excesso fica ruim, o conhecido refrão “Eu me remexo muito” não embala nem empolga como no primeiro filme, se tornando até um pouco maçante. A dublagem em português é bem feita, dando um caráter mais cômico aos personagens do que suas falas permitiam.
É com sua infinidade de erros (listados e não listados aqui) e raríssimos acertos que “Madagascar 2″ se tornou o filme mais decepcionante de 2008, figurando entre os piores do ano. Só espero que nem passe pela cabeça dos produtores fazer mais uma continuação para a franquia, pois seria duro ver os cativantes animais do ótimo primeiro filme serem mais ridicularizados ainda. Fica a torcida para que a tortura a eles pare por aqui.
Por Danilo Henrique
Hitman – Assassino 47

Nota: 2.0
O mercado cinematográfico vem sendo invadido e bombardeado com adaptações de games para as telonas. Os diretores não se cansam de explorar esse batido e fraco mercado (principalmente o alemão Uwe Boll, que é o mais persistente que conheço em matéria de fazer adaptações ruins) e as produtoras não têm o bom senso de pararem de aceitar roteiros desse tipo. Como em Hollywood nem tudo é como pensamos, “Hitman – Assassino 47″ (Hitman, 2007), baseado no jogo homônimo da EIDOS, acabou sendo lançado, e mesmo com seu orçamento recheado e boa bilheteria, provou de vez que adaptar games quase nunca é garantia de qualidade.
Uma instituição denominada “A Agência” acolhe órfãos e crianças abandonadas para que se tornem especialistas em artes marciais e em manuseio de armas, visando a criação de assassinos de aluguel. As crianças não recebem nomes, mas sim números de códigos de barras, sendo chamados pelos dois últimos numerais. É daí que surge o Agente 47 (Timothy Olyphant), que, nesta trama, é contratado para assassinar um poderoso político russo, irmão de um igualmente poderoso traficante do país. O que 47 não esperava era que essa nova missão tratava-se apenas de uma tentativa de incriminá-lo em uma trama política, e será perseguido pela Interpol, pelos militares russos e pela própria agência que o criou. Cercado por todos os lados, 47 tem a seu favor apenas os ensinamentos que recebeu quando criança, em uma tentativa desenfreada de descobrir o autor dessa armadilha para ele.
O grande problema para “Hitman – Assassino 47″ emplacar é o próprio roteiro, muitíssimo mal adaptado por Skip Woods (cujo trabalho eu não conhecia até este filme). Tudo é bastante previsível e comum, o que nos dá a séria impressão de que já vimos tudo isso em outro lugar (mesmo sem ter jogado o game). A começar pela história, bastante explorada e batida: quantos filmes de ciladas para tramas políticas você já viu em sua vida, mesmo se você não costuma assistir a filmes de ação? Qual a graça de colocar o personagem principal rodando o mundo inteiro à procura de confusas respostas e vingança, se já vimos isso em inúmeros outros filmes? O roteiro parece ser uma verdadeira colcha de retalhos, com um pouquinho de vários filmes que deram relativamente certo. E isso não é nada bom. Se o roteiro já não é bom, o que esperar da direção de um estreante em Hollywood, com um orçamento ótimo e a responsabilidade de transpor bem um game de grande sucesso para as telas? Pois o que vemos é Xavier Gens sem saber o que fazer com um roteiro ilógico e um elenco fraco. Para “compensar” de alguma forma, Gens abusa dos efeitos especiais, que são razoáveis, mas não conseguem fazer o espectador transbordar de adrenalina como acreditava ter feito. Aliás, o que mais falta no longa são motivos para o espectador se empolgar, já que todas as cenas, mesmo as de luta, acabam antes de atingirem seu limiar, além de uma trilha sonora bastante ineficaz. Ao invés disso, vemos confusão, fatos jogados sem maiores explicações, confusão, viagens do protagonista, confusão, lutas mal feitas e mais confusão. Já deu para perceber que a lógica não predomina, certo? Eis que, tendo em vista o desastre que poderia ser o filme, o diretor introduz uma reviravolta perto do final, que, provavelmente, ficou boa para seus olhos. O que acontece de fato é que todo mundo esperava essa mesma reviravolta, uma das mais tolas que já vi no cinema. Pobre Xavier Gens, Leigh Wannel e James Wan poderiam dar-lhe algumas aulas de como se fazer uma reviravolta decente. Apesar de tudo, “Hitman – Assassino 47″ tem lá suas cenas legais, e conseguem entreter ligeiramente o público, mesmo que nada chegue ao ponto certo.
Se roteiro e diretor não ajudam, espera-se que o elenco segure as pontas, certo? Errado! A começar pelo protagonista, o mecânico Timothy Olyphant, que faz seu primeiro papel como protagonista. Antes mesmo de vermos sua interpretação, tendo em vista seus trabalhos anteriores, era inegável que ele não merecia tal papel, que quase foi assumido por Vin Diesel. Olyphant é um verdadeiro robozinho em cena, tanto no modo de falar quanto no de agir, tornado seu personagem bastante inverossímil e pouco carismático. Se Olyphant é ruim, o que dizer de Olga Kurilenko, que interpreta o affair do Agente 47. Sua atuação é totalmente inçossa e desprovida de qualquer emoção, sendo mais mecânica ainda que o ator protagonista. Ambos não têm o mínimo de química para contracenarem, o que incomoda bastante àqueles que não ficam atentos esperando apenas a próxima cena de luta. Henry Ian Cusick não chega a ser ruim como os dois anteriores, mas seu traficante russo durão não convence a ninguém. A melhor atuação acaba sendo a de Dougray Scott, como Mike, conseguindo transmitir um pouco de ação para a tela.
“Hitman – Assassino 47″ é um filme de ação em que faltam vários ingredientes essenciais, como um protagonista atuante, um elenco coadjuvante razoável e boas doses de adrenalina. Estando tudo isso em falta, resta-nos rezar para que as produtoras tomem semancol e parem de aceitar roteiros baseados em games, o que, espero eu, está ficando cada dia mais perto.
Por Danilo Henrique